sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Review: De Slings & Arrows à Som & Fúria

Maria, Oliver e Geoffrey

A série original foi exibida no Canadá entre 2003 e 2006 com um total de três temporadas e 18 episódios produzidos. Criada por Susan Coyne (intérprete da personagem Anna), Mark McKinney (Richard) e Bob Martin (Terry, o ator que recebe conselhos de Geoffrey/Dante durante as aulas de interpretação na primeira temporada), a série conquistou público, crítica e prêmios, entre eles o Gemini, o equivalente ao Emmy no Canadá.
Como já tinha comentado aqui antes de "Som e Fúria" estrear, assisti à série original e me apaixonei pelo texto e pela própria montagem e interpretações. Saber que seria traduzida para o Brasil me deixou apreensiva, mas ao mesmo tempo curiosa. Isto porque a série lida com o tema do teatro, que não é bem aceito pela cultura televisiva, muito embora já tenha sido magnificamente explorado anteriormente, como visto recentemente nas produções do projeto Quadrante da TV Globo.
Outra questão que seria difícil de explorar seria o universo de Shakespeare. Muito embora os textos do autor sejam exaustivamente adaptados pelas novelas brasileiras, o público não costuma aceitar com facilidade a montagem de suas peças como foram concebidas. Não dominando a concepção de suas tramas ou personagens, dificilmente o grande público identificaria as relações entre personagens e a obra do autor.

Geoffrey e Ellen

A Série
O que mais chama atenção no texto de "Slings & Arrows" são as diversas abordagens que ele faz ao próprio teatro: trama, personagens e montagens das peças. Tudo isso visto através de uma linguagem televisiva, sem contudo perder seu conteúdo. Além das montagens das peças e do que ocorre nos bastidores de uma companhia teatral, temos os próprios personagens da série, que são adaptações de personagens de Shakespeare vivendo situações que fazem uma miscelânia das tramas concebidas por ele há séculos atrás.

Se para alguém pareceu que estava assistindo a um amontoado de clichês, é porque as situações e os
personagens criados por Shakespeare já foram montados e adaptados milhões de vezes tanto na TV quanto no cinema...e continuarão sendo. Mas, aqui, há uma espécie de homenagem à sua obra. Uma brincadeira que os autores fizeram entre personagens e situações criados por aquele que é considerado o pai da língua inglesa, e do próprio teatro nos dias de hoje.

Na trama da série temos Geoffrey/Dante, um Hamlet perturbado com a morte do teatro artístico, assassinado pelo teatro comercial o qual lhe roubou sua amada Ellen, levada por aquele que voltaria para cobrar-lhe uma atitude: recuperar a arte do teatro. Na figura do fantasma do pai de Hamlet temos Oliver/Oliveira, ex-diretor de Geoffrey/Dante, aquele que é responsável por tê-lo descoberto, seu mentor.
Geoffrey e Oliver
No 1º episódio vemos Oliver se despedindo da vida. Ele se desconecta a cada cena, de seus laços emocionais com o trabalho e com as pessoas. Ao ostensivamente ignorar Ellen, ele está se desapegando do passado; ao olhar para a foto do que foi e do que fez, ele se despede. Até ver Geoffrey ainda lutando com paixão por seus ideais. Através dele, Oliver encontra vida e é por isso que ele retorna: para viver esta vida através daquele que ele sempre admirou e amou. O teatro de Oliver foi corrompido, se transformou em marketing, enquanto o de Geoffrey ainda é arte. Ao voltar, ele busca vingar seus ideais resgatando o teatro artístico através de Geoffrey.

Para tanto eles precisarão
enfrentar aquele que representa o "assassino": Richard/Ricardo, que luta para manter os patrocínios e os investimentos necessário para sustentar as montagens, ao mesmo tempo em que garante a exploração comercial das peças. Ele é uma mistura de Ricardo III e MacBeth.
Do primeiro, Richard herdou a figura do herói-vilão, ao mesmo tempo que se torna vilão por representar o inimigo do teatro artístico defendido por Geoffrey, de ser capaz de fazer qualquer coisa para derrubar o oponente, ele também é o herói simpático que só deseja realizar seus sonhos e alcançar seus ideais. Com seu jeito apatetado ele conquista o público que torce por ele, embora mude de comportamento constantemente.
Geoffrey, Darren Nichols (Oswald Thomas) e Richard
Do segundo, herdou o desejo de ser o rei, no caso, diretor artístico. Como MacBeth, Richard enfrenta o inimigo, nas figuras de Geoffrey e da falta de dinheiro. Lutando suas batalhas, ele sonha com o domínio do seu reinado, embora a princípio ele não se ache capaz. Mas para convencê-lo a alcançar seu objetivo, ele conta com a ajuda de sua companheira: Lady MacBeth.

Esta é Holly/Graça, uma mulher fria
, calculista e sádica, que no original ainda tem uma segunda conotação simbólica. Holly é apresentada como uma americana e não canadense, com isso existe uma crítica embutida na narrativa, que não foi traduzida na versão brasileira: simbolicamente ela representa seu país ao manipular por baixo dos panos a situação no teatro local.
Dona do dinheiro, ela se apresenta como a salvadora financeira da companhia. Aparentemente simpática e compreensiva, amiga de todos, mas determinando o destino de todos conforme seus interesses. Ela, simbolicamente, implode a cultura do país ao tentar acabar com o restinho que sobrou do teatro artístico, transformando-o em teatro comercial utilizando como arma o marketing agressivo, tão típico dos americanos. Holly vê na fraqueza e ambição de Richard sua oportunidade de realizar suas próprias ambições: controlar e manipular o poder.

Ellen (E) e Kate
Por outro lado temos Ellen, que tem a personalidade de Helen, ou Helena, de "Sonhos de uma Noite de Verão". Insegura, sensível, obsessiva, apaixonada pelo teatro, por Geoffrey e por si mesma. Vive em seu próprio mundo, é incapaz de sentir a dor do próximo. Sozinha, ela compensa suas frustrações e solidão transando com outros homens, geralmente mais jovens com os quais consegue manter o controle da relação.

Na peça "Sonhos de uma Noite de Verão", Helen é uma jovem rica que mantém um certo status na sociedade em que vive. Teve um relacionamento prévio com Demetrius a quem ainda ama, mas com quem discute constantemente, protagonizando situações cômicas. Na série, Ellen mantém um padrão de vida acima do normal e é considerada a principal atriz da companhia. Teve um relacionamento prévio com Geoffrey a quem ainda ama, mas cuja relação remonta à peça "A Megera Domada".

Jack/Jacques e Kate/Kátia formam o casal central de Romeu e Julieta, com direito à primeira noite de amor despertada pelo canto da cotovia que os leva à realidade: a conscientização de Kate de estar se apaixonando por alguém que pode estar além de sua própria realidade. Tal como na peça, o casal morre simbólicamente para aqueles que os conhecem
e também para o telespectador, quando juntos vão embora da cidade. Enquanto que a personagem Anna é Hannah, a ama de "Romeu e Julieta", dedicada, atenciosa, que se importa com o bem-estar das pessoas, fazendo de tudo para conseguir equilibrar e resolver os problemas.
Situações das peças de Shakespeare correm soltas pelo roteiro, como a luta de Geoffrey/Dante em evitar a inundação de seu teatro, desentupindo o vaso sanitário ao mesmo tempo em que ensaia a montagem da peça "A Tempestade"; ou a luta de esgrima na festa de Ellen, que reproduz o desafio entre Romeu e Mercucio de "Romeu e Julieta"; e até mesmo a presença de uma das bruxas de MacBeth, na figura de Moira.

As Diferenças Entre as Duas Produções

"Slings and Arrows" é uma dramédia. "Som e Fúria" é uma comédia. Nada contra a produção de séries cômicas, mas ao ser anunciada a versão de "Slings & Arrows",
tive a esperança de que a TV Brasileira sairia da zona de conforto em que se encontra e investiria em outro gênero que não o drama-novela ou comédia-humorístico. Com isso, perderam uma grande oportunidade de aprender a fazer dramédia, um gênero que poderia ser muito bem explorado no Brasil.

A versão canadense é mais dramática, mais intensa, os personagens são mais complexos, muito embora o texto e os diálogos sejam os mesmos. Tal como foi explicado por Dante ao personagem Jacques (Daniel de Oliveira) durante os ensaios de "Hamlet", o texto pode ser o mesmo, é a forma como os personagens são construídos que faz a diferença.
Mantendo o mesmo diálogo, Geoffrey (Paul Gross) é mais intenso, mais preocupado, mais perturbado, enquanto que Dante (Felipe Camargo) é mais leve, tranquilo, galhofeiro, sem explorar as nuances da personalidade do original. O mesmo ocorre com Oliver (Stephen Ouimette) e Oliveira (Pedro Paulo Rangel). O primeiro era mais introspectivo em suas intenções e opiniões, o segundo é mais brincalhão.
Oliveira
Embora tenha sido divulgado à imprensa que a maioria dos atores não assistiram ao original, não é o que vemos no resultado final. Gestos, expressões, movimentos são reproduções do que foi feito pelos atores canadenses. Dan Stulbach chegou ao ponto de compôr seu personagem em cima dos maneirismos do ator Mark McKinney. Desta forma Stulbach interpretou o ator que interpretou o personagem na série canadense. Precisou de fato do talento de Stulbach para o personagem não cair na caricatura sem conteúdo.
Este tipo de construção mais caricata de personagens faz parte da versão comédia que a série teve. Mas quem de fato destoou, mesmo sendo uma série cômica, foi Regina Casé. Sem fazer parte do elenco e desconstruindo por completo sua Lady MacBeth, Regina atuou sozinha, como se estivesse em um programa humorístico, enquanto que o resto do elenco atuava em uma série cômica. Não se trata de uma scene stealer porque para roubar uma cena é necessário primeiro que o ator/personagem consiga se integrar ao elenco, o que não ocorreu.
Outro erro na escalação de elenco foi Daniel Dantas. Descrito como um ator-pavão, seu personagem exigia um ator com presença energética mais forte, com uma postura de quem domina o mundo. Algo que Dantas não tem. Com uma postura suave, ele passa por uma pessoa comum, até humilde, tanto no porte físico quanto no tom de voz; não por alguém que se acha um grande ator, embora não seja, e que irá sofrer traições que o levarão à fraqueza e ao abismo emocional e psicológico.

Dante e Ellen
Além de propôr outra dimensão para os personagens da série, a versão brasileira também difere da original pela edição. Já foi divulgado pela imprensa que a Globo reeditou a série antes de exibi-la. Para se ter uma idéia, o primeiro episódio de "Som e Fúria" apresenta situações exploradas nos três primeiros episódios de "Slings & Arrows".
Foram encurtados o tempo de duração das cenas em comparação ao do original, eliminados personagens, cenas e situações, bem como o tempo de duração de cada episódio. Em "Slings & Arrows" cada episódio teve 45 minutos de duração. Em "Som e Fúria" a média dos episódios apresentou 25 minutos de duração, sendo que alguns cortes comprometeram o entedimento de cenas.
A segunda temporada de "Slings & Arrows" foi a que mais sofreu. Na versão brasileira ela é representada pela fase em que MacBeth e Romeu e Julieta são montados. Talvez por ser uma temporada com situações mais dramáticas que a primeira ela tenha sido mais reduzida em sua adaptação.
Dante, Oliveira e Ellen
Com os cortes promovidos pela Globo não se sabe o que de fato foi filmado por Meirelles. Sabe-se apenas que a edição da série é, com certeza, mais rápida e mais ágil que a do original. Pelo que vimos, "Som & Fúria" enfatizou as cenas cômicas, eliminando a maioria das cenas de silêncio que valorizavam a construção e o entendimento de personagens e suas emoções; podou situações que favoreciam à trama, como o debate arte x comércio e sua relação com os personagens. Sobraram, essencialmente, as cenas de ações e diálogos que promovem a ação.
Famoso por sua edição videoclipe, Fernando Meirelles é muito criticado no meio cinematográfico. Cinéfilos puristas, além de críticos e professores de história do cinema não gostam da opção do diretor em levar para o cinema a edição videoclipe, chamada de televisão. Pelo menos em seus filmes brasileiros, já que nas produções estrangeiras Meirelles mantém uma edição mais próxima à utilizada por cineastas.
Sarah e Patrick
A edição não é realmente um problema, como o próprio Meirelles já provou. Mas ela precisa de um elenco que consiga sustentá-la. No caso dos filmes brasileiros de Meirelles, ele foi capaz de unir a edição a um elenco com sucesso graças ao trabalho de um preparador de atores. Profissional com o qual "Som e Fúria" parece não ter contado, resultando em um elenco sem homogenidade.
Mas apesar dos problemas de elenco, de edição e da decisão em tranformá-lo em comédia, o texto original conseguiu provar sua força ao se manter fresco, inteligente e apaixonante.
Kátia
Adaptação de Cultura
Anunciada como adaptação, a série "Som e Fúria" é, na verdade, uma tradução. Isto porque os diálogos e as situações são as mesmas. A abordagem cômica não confere à série o título de adaptação. Para tanto, seria necessário levar em consideração a cultura brasileira.
A série canadense retrata sua cultura ao abordar os bastidores da produção de um festival anual de peças clássicas, em especial Shakespeare, que se realiza no interior. O autor inglês faz parte da formação básica dos atores desse país, que sonham com a oportunidade de interpretar seus personagens. Assim, na série original, vemos uma união apaixonada entre atores e personagens.

Apesar da fama e do respeito conquistado por Shakespeare no Brasil, ele não faz parte da cultura teatral ou mesmo social. Tendo sido inúmeras vezes adaptado em tramas de novelas, suas obras costumam repelir o grande público quando montadas no teatro. Atores brasileiros sonham, na verdade, em interpretar personagens de Nelson Rodrigues ou Plínio Marcos, autores brasileiros que conseguiram derrubar Shakespeare na preferência artística. Assim, para ser uma adaptação, a série teria que levar este fato em consideração.


Graça e Ricardo
Outra questão foi a decisão de colocar a companhia dentro do Teatro Municipal de São Paulo. Na série original, a ação se passa em uma cidade do interior na qual o festival é um dos principais fatores econômicos que movimenta a cidade. Isto justifica a casa em que Ellen mora ou o fato de que a imprensa corre para cobrir os sucessos e os escândalos promovidos pela companhia.
Ao situar a companhia em São Paulo, este interesse da imprensa nas vidas dos atores perde força. Nenhum jornal daria como manchete que o diretor artístico foi preso após brigar em uma festa. Sem mencionar o fato de que o Teatro Municipal de São Paulo não promove festivais de Shakespeare ou teatro clássico, nem sustenta uma companhia de teatro. Sua agenda é dedicada a óperas, música de câmera e dança.

Para retratar a cultura teatral brasileira, Meirelles teria que reescrever o texto para acomodar a luta dos artistas em montar uma única peça, ou as dificuldades culturais e econômicas enfrentadas por uma companhia de teatro, ou as dificuldades para se organizar um festival no Brasil, bem como adaptar a postura da mídia e do público em relação ao teatro.

Cena da montagem de Rei Lear
A 2ª Temporada de "Som e Fúria" - Cuidado com spoilers!

O jornal O Estado de São Paulo anunciou a intenção da Globo em produzir uma segunda temporada de "Som e Fúria". A própria emissora emitiu uma nota para este blog confirmando o interesse. A segunda temporada deverá corresponder à terceira de "Slings & Arrows". Nela, temos a montagem de Rei Lear e do musical East Hastings.

Mas, segundo o Estadão, a produção brasileira deverá criar parcialmente um roteiro próprio, pois ao invés de East Hastings, eles montarão outra peça de Shakespeare: Ricardo III. Se for verdade, a série brasileira irá alterar o rumo da trama e da crítica feita pelo original. Visto que na produção canadense, a companhia de teatro que monta Shakespeare enfrenta a popularidade de um musical jovem e moderno. Se nas duas primeiras temporadas existiu uma crítica à disputa arte x comércio. Na terceira é discutida a questão do clássico x popular. Se montar duas peças de Shakespeare, a série brasileira irá eliminar este discurso.


Elenco de Rei Lear

Na montagem de Rei Lear, a série se torna ainda mais dramática e introspectiva, visto que o ator escolhido por Geoffrey para interpretar Lear está morrendo de câncer. Sem revelar nada a ninguém, o ator, e depois Geoffrey, assumem as consequências do fato. Ao enfrentar a morte de seu ídolo de perto, Geoffrey é obrigado a olhar para sua própria situação. Ainda assombrado pelo fantasma de Oliver, que deseja partir, ambos buscam ajuda psicológica, na figura de um pastor.

Outro tema discutido é o uso da maconha. O ator moribundo necessita da droga para aplanar sua dor física a qual promove mudanças de humor e comportamento; a trama desenvolvida pelo musical East Hastings fala sobre os efeitos do vício nos jovens, e Richard, empolgado por finalmente se tornar diretor artístico do musical, gênero que adora, embarca junto com os atores no uso das drogas para expandir a mente e o prazer físico. É o comportamento de Richard que dá o tom da comédia nesta temporada, mas é a trama dramática que dá sustentação à estória

O choque entre duas culturas, o clássico e o moderno, bem como sua irresponsabilidade em comprometer o festival contratando um ator moribundo, faz com que Geoffrey reveja seus conceitos. Ao invés de se tornar Oliver, ele resgata suas ideologias, que começavam a ceder pela pressão administrativa e publicitária, e retorna às suas origens.



Paul Gross e Martha Burns
Curiosidades
* O personagem de Jack/Jacques foi criado com base na experiência de Keanu Reeves durante um festival de Shakespeare em Winnipeg, Canadá.

* A história do pônei em cima do telhado, narrada no primeiro episódio, não consta da edição final da série original. Ela aparece apenas nos Extras do DVD junto com outras cenas cortadas.

* Na vida real, Paul Gross (Geoffrey/Dante) é casado com Martha Burns (Ellen).

* No Brasil, os personagens dos irmãos Delfino, foram interpretados pela dupla gaúcha de músicos Tangos e Tragédias. No original, eram uma espécie de o Gordo e o Magro meio macabro.

* Tendo sido exibida tarde da noite, a série "Som & Fúria" conquistou uma audiência que variou entre 11 e 19 pontos.

* A série trouxe o uso de palavrões e até uma bitoca entre dois homens, algo que normalmente não é visto na TV aberta brasileira. No entanto, censurou a cena de nudez que é vista no original. Nela temos Geoffrey/Dante, que sonha estar nu no palco. O telespectador tem uma visão clara das nádegas de Paul Gross, enquanto na versão brasileira, a cena foi encurtada e escurecida.

* Confira a galeria de personagens de "Slings & Arrows" e "Som & Fúria" aqui.

2 comentários:

Rafa Bauer disse...

Finalmente, depois de ver a versão brasileira, vou pegar a original canadense, mesmo sem legendas. Só tenho que achar onde coloquei os dvds... hehe

Fernanda Furquim disse...

Eeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!

Copyright@ 2006-2010 - Revista TV Séries. Textos com seus direitos reservados.