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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Russell Crowe Estrela a Versão Cinematográfica de The Equalizer


A série não é muito conhecida no Brasil, mas nos EUA ela fez muito sucesso entre os anos de 1985 e 1989, a ponto de ganhar uma versão cinematográfica a ser estrelada por Russell Crowe. Segundo o jornal Los Angeles Times, a versão para o cinema que esteve durante anos em desenvolvimento pela Weinstein Co. está agora nas mãos do produtor Mace Neufeld e da Escape Artists, que ainda procuram por um grande estúdio para formar parceria. Com a presença de Crowe no elenco, deverá ser mais fácil conseguir levar o projeto adiante.

O ator substitui Edward Woodard, já falecido, que durante quatro temporadas deu vida à Robert McCall, um agente que durante anos atuou em missões secretas para um departamento do governo conhecido como "The Company". Após muitos sacrifícios morais e pessoais, Robert chega ao seu limite, o que o leva a afastar-se da agência. Para garantir que não será assassinado em uma 'queima de arquivos', Robert leva consigo algumas evidências que poderiam comprometer o futuro do governo. Além disso, o agente conseguiu manter vários de seus contatos, dentro e fora da agência, os quais lhe garantem sua segurança.


Agora, trabalhando por conta própria, Robert tenta se redimir do passado. Sempre polido e bem vestido, o personagem esconde, por traz do verniz social, um perfil que beira a paranóia, lutando constantemente para manter a consciência intacta. Ajudando pessoas que necessitam do tipo de serviço para o qual ele foi treinado, Robert divulga seu trabalho através dos classificados de um jornal: "Você tem um problema? O universo conspira contra você? Chame Equalizer". O nome foi um apelido que ganhou quando ainda era jovem. Robert nunca cobrava dinheiro por serviços prestados, mas costumava cobrar favores de antigos clientes para cada nova missão realizada.

No elenco da série também estavam Robert Lansing, como o chefe da Companhia; William Zabka, como Scott, filho de Robert, com quem ele não mantém uma boa relação; e Richard Jordan, como Harley Gage, amigo de Robert. Em 1987, o ator Edward Woodward sofreu um ataque cardíaco o que o fez se afastar da série por duas semanas. Nesse período, Robert Mitchum foi chamado para substituí-lo em um episódio de duas partes no qual ele interpretou um velho amigo de Robert, que se une a Scott para tentar encontrar o pai que desapareceu.

Esse tipo de enredo, sobre justiceiros que se colocam à serviço de inocentes, já foi visto algumas vezes ao longo das décadas nas séries de TV, como por exemplo em "O Paladino da Justiça/Have Gun Will Travel", nos anos 50, "Contrato de Risco/Stingray" e  "O Esquadrão Classe A/The A-Team", nos anos 80; ou "Burn Notice" nos dias de hoje, entre outras.

Embora alguns sites divulguem a estreia do filme para 2011, a produção ainda não tem uma data definida para chegar aos cinemas.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Bela e a Fera no TCM


Em setembro de 1987, a CBS apresentou ao público uma nova versão do clássico conto de fadas A Bela e a Fera/Beauty and the Beast. O drama romântico de Ron Koslow explorava o relacionamento entre Vincent, um místico homem meio-fera, e Catherine Chandler, uma promotora de Manhattan com quem ele desenvolve uma misteriosa ligação empática. Este homem com rosto de leão e personalidade ao mesmo tempo nobre e explosiva fora abandonado quando bebê diante do Hospital Saint Vincent, em Nova Iorque, onde foi resgatado por um estranho conhecido apenas como Pai. Desde então ele vive nos subterrâneos da cidade, em um complexo de túneis que serve de lar para uma sociedade formada por pessoas que, por motivos diversos, abandonaram a superfície, região na qual transitam apenas de forma obscura.

É desta forma que Vincent e Catherine se conhecem. Certa noite, aproveitando a escuridão para caminhar pelo Central Park, ele encontra a jovem gravemente ferida, desfigurada, largada como morta após ter sido violentada e esfaqueada. Contrariando as regras dos túneis, ele leva a estranha a seu mundo e a trata até ficar curada. Ele, no entanto, a mantém de olhos vendados. Ao vê-lo pela primeira vez, a promotora (intepretada por Linda Hamilton) fica chocada com sua inesperada aparência de leão, mas a voz acalentadora que ela ouvira durante sua recuperação já havia conquistado sua amizade e dado início à forte ligação empática que se processa entre os dois.


Após fazer vários papéis por trás de máscaras de maquilagem, Ron Perlman avisou seu agente que só desejava personagens com rosto limpo. Alguns dias depois, contudo, ao pegar o jornal da manhã encontrou um roteiro de A Bela e a Fera, e como este era menor do que o jornal, decidiu lê-lo primeiro. Antes do final, ele estava no telefone perguntando ao agente o que deveria fazer para obter o papel de Vincent. Durante a produção ele ficaria tão fascinado com o texto, que todo o esforço para aguentar a maquilagem criada por Rick Baker valeria a pena.


Antes de Perlman conquistar o papel título, Roy Dotrice também fizera um teste para o mesmo personagem. Mas quando o ator certo apareceu, Dotrice achou que estava completamente fora do projeto. Duas semanas mais tarde, os produtores lhe ofereceram o papel do Pai. Atuar em uma série semanal era um sonho, mas desenvolver o personagem foi uma tarefa difícil, pois ao final do piloto, Dotrice sofreu uma grave lesão no quadril, que o forçou a usar uma bengala e fazer cenas curtas, a maioria delas sentado ou encostado em algo. Após a recuperação de Dotrice, a bengala e o caminhar manco permaneceram como parte do personagem.


Através das estórias de Vincent e Catherine, Nova Iorque se divide entre um mundo aparte, de aparência medieval, e a atmosfera caótica de Manhattan, e, aos poucos, a crescente amizade entre a bela e a fera promove uma transformação. Esta, porém, não ocorre como no clássico conto de fadas, no qual a fera torna-se um belo príncipe. Ela acontece na alma de Vincent, não se limitando apenas a ele. Sem permitir que a violência e os tiroteios, comuns em séries de ação, interferissem no conteúdo da série, ela misturava fantasia e realidade, de forma a permitir a gradual evolução do relacionamento entre os dois. A questão, no entanto, não era consumá-lo com uma união permanente e sim explorar suas ramificações em cada episódio, mostrando outras formas de expressar afeto.


O conceito era um desafio para os roteiristas. Na busca de novas tramas interessantes, eles se reuniam durante horas para discutir os rumos da série. Dada a dificuldade de encontrar estórias interessantes, que misturassem romance e crime, as reuniões foram batizadas de The Brotherhood of Pain (Irmandade da Dor). Os novatos no grupo tinham particular dificuldade com a linguagem de Vincent, carregada de sabedoria clássica e sensibilidade, ao mesmo tempo em que soava informal. Toda a série é permeada pela erudição de Vincent, tanto através da música quanto da literatura, com citações de grandes escritores, como William Shakespeare, Charles Dickens, Mark Twain, Rudyard Kipling e Oscar Wilde, e o som encanador de vários mestres, entre eles Beethoven, Chopin, Schubert, Vivaldi e Haydn.

A sensibilidade de Vincent fica clara desde o piloto, onde ele conclui uma carta dirigida a Catherine com o poema Somewhere, de Edwin Arnold.

Somewhere there waiteth in this world of ours,
For one lone soul, another lonely soul.
Each choosing through all the weary hours,
And meeting strangely at one sudden goal.
Then they blend, like green leaves with golden flowers,
Into one beautiful and perfect whole.
And life's long night is ended,
And the way lies open onward to eternal day.

"Em algum lugar neste mundo,
Uma alma solitária espera a outra, também solitária.
E ambas se procuram no passar enfadonho das horas,
E estranhamente encontram-se em um lugar inesperado.
E fundem-se, como as folhas verdes com as flores douradas,
Num todo belo e perfeito.
E a longa noite da vida termina,
Abrindo-se a sua frente o caminho para o dia eterno."

A fórmula básica era simples: os mundos de Vincent e Catherine deveriam de alguma forma se cruzar. Mas a última coisa que Koslow e seu time desejavam era um espelho de O Incrível Hulk, com tramas consideradas corriqueiras, que mostrassem Catherine em perigo no começo e sendo salva por Vincent no final. O difícil era encontrar um motivo novo a cada semana para que estes mundos se encontrassem de forma inesperada. Um bom exemplo é o episódio Ozymandias (da primeira temporada), no qual o mundo de Vincent corre o risco de ser exposto quando o empresário Elliot Burch (Edward Albert) começa a construir um prédio na área acima dos túneis. Cabe a Catherine evitar a continuação da obra, mesmo que para isso precise casar-se com Elliot.


Catherine e Elliot Burch

Com o tempo, tanto roteiristas quanto fãs começaram a ficar intrigados com o mundo subterrâneo. Quem vive lá? Quem lidera? O que comem? O que vestem? Onde exatamente fica este lugar? Koslow pretendia filmar a série em Nova Iorque, onde os personagens vivem e onde de fato existem túneis subterrâneos. Ele acreditava que dessa forma a diversidade entre o ritmo frenético de Manhattan e a tranquilidade do mundo inferior ficaria mais clara. Além disso, Los Angeles (local da produção) não tinha metrô naquela época (ele começou a funcionar nos anos 90), por isso a produção viu-se obrigada a reaproveitar um cenário de metrô encontrado no estúdio. Eles também tomaram a liberdade de acrescentar um toque de fantasia aos túneis da cidade, com a criação de câmaras e setores, como The Whispering Gallery (galeria dos sussurros) - com uma ponte de madeira sobre um abismo -, e The Chamber of the Winds (câmara dos ventos) - com canos através dos quais mensagens são enviadas.


No piloto, Vincent explica a Catherine que seu mundo é um lugar secreto sob a cidade; secreto porque “muitas pessoas boas dependem dele para ter segurança. Não há mapas que mostrem onde estamos. É um lugar esquecido. Mas é agradável e seguro, e todos temos o espaço necessário. Então vivemos aqui e fazemos o possível. E tentamos cuidar uns dos outros.” Em vez de esclarecer a questão, os roteiristas preferiam responder às perguntas com explicações diversas, contando estórias diferentes sobre diferentes moradores do subterrâneo. Alguns estavam lá para fugir de alguma injustiça, outros procuravam um santuário longe da cidade grande. Em An Impossible Silence (primeira temporada), o Pai explica seu lar como sendo coisas diferentes para pessoas diferentes. “Para alguns, é um lugar de cura e segurança. Para outros, é nosso lar. Mas todos temos que decidir o que este lugar significa para nós.”

Entre eles, reina o ideal de paz, justiça e fraternidade sob a liderança do Pai, cuja vida fora destruída pela era McCarthy. A presença de tecnologia é ínfima e a importância dada à mente é primordial. Mas este mundo não é perfeito, pois as falhas comuns do ser humano também habitam os túneis. Por isso, até mesmo nesse mundo secreto, um sentido de ordem e organização é imposto para corrigir as falhas que eventualmente causem o desequilíbrio da comunidade. A punição é determinada pelo Conselho e pode chegar ao banimento no caso de faltas graves. A sobrevivência dos moradores dos túneis também depende de indivíduos de fora, pessoas de confiança, como Catherine, com quem mantêm um intercâmbio.

Inicialmente, a CBS não queria apresentar o povo do mundo subterrâneo, pois temia que o público reagisse negativamente. Por isso, as primeiras estórias começaram nas ruas de Manhattan, em particular, no escritório da promotoria, onde Catherine trabalha. Foi graças aos bons índices de audiência que os roteiristas conquistaram a liberdade para abordar o povo dos túneis. Um dos episódios-chave desta conquista aconteceu, por acaso, em consequência da necessidade de reduzir custos. Como locações e cenários eram os itens mais caros da produção, eles decidiram fazer um roteiro centrado em um desmoronamento nos túneis, onde Vincent e o Pai ficam presos. Curiosamente, a intenção inicial de economizar com Shades of Grey não se concretizou, pois a estória acabou exigindo a construção do cenário desmoronado e dos locais de trabalho de Catherine e Elliot. Mas com Shades of Grey estava finalmente quebrada a barreira dos ditames da rede sobre o povo do subterrâneo.



A segunda temporada começou com atraso devido a uma greve de roteiristas. Quando a série retornou na metade de novembro, diversas séries cômicas da ABC já estavam no ar há seis semanas, e ficou impossível competir com a audiência já conquistada por elas. Nessa fase, surgiu a ideia de mostrar o lado festivo da comunidade dos túneis. Em Dead of Winter, eles se reúnem para a Winterfest, festival que celebra o início desta comunidade incomum. Catherine, que agora é vista como protetora e amiga, é convidada. De fato, sua conexão com o mundo subterrâneo torna-se tão forte, que alguns episódios depois, em Orphans, a morte de seu pai a faz pensar em viver nos túneis permanentemente. Apesar de utilizar basicamente um único ambiente, Dead of Winter não foi simples e barato, como esperado. O tal ambiente teve de ser construído e foi o mais caro de toda a série. Além disso, foi necessário contratar extras para dar à festa a sensação do tamanho.

Em meio à temporada, a série enfrentou mais dois problemas. Primeiro, houve uma greve de motoristas de caminhão, o que limitou as gravações ao estúdio. Por isso, esta fase apresenta mais ênfase no mundo subterrâneo. Afinal, era inviável mover as filmagens para locações externas sem transporte. Também nesta época, houve uma queda na audiência e a rede exigiu que os roteiristas aumentassem as doses de ação e violência. Assim, a primeira parte compõe-se de episódios lentos centrados nos personagens, enquanto a segunda é mais movimentada. A presença do vilão Paracelsus (Tony Jay) permitiu criar estórias cada vez mais sombrias, envolvendo a natureza misteriosa e agressiva de Vincent. Ao final, ele começa a sofrer de alucinações. Durante um de seus ataques, ele foge pelos túneis completamente transtornado. Catherine vai a seu encontro passando por caminhos escuros, dominados pelos gritos enlouquecidos de Vincent. Então ela chama seu nome... E assim termina a temporada.


Vincent e Paracelsus

Quando a trama recomeça, Vincent se recupera, mas perde a ligação empática que tinha com Catherine. A terceira temporada também começa com um grande problema: Linda Hamilton ficara grávida e logo precisaria se afastar. A situação se agravou com a decisão da CBS em produzir apenas 12 episódios. Uma longa discussão sobre o futuro de Catherine deixou claro que havia apenas duas saídas: substituir a atriz ou eliminar a personagem. Uma vez tomada a decisão de eliminar Catherine, a CBS observou que sua morte deveria acontecer no começo, ou o público jamais aceitaria a entrada de um novo personagem feminino. Assim, durante uma investigação, Catherine é raptada por Gabriel (Stephen McHattie), um perigoso criminoso, que na verdade está mais interessado no bebê que ela carrega, filho de Vincent. Felizmente, a ligação empática de Vincent retorna, porém, não com Catherine e sim com a criança. Seu instinto o leva a ela, mas já é tarde, seu filho desapareceu e Catherine morre em seus braços vítima de uma dose letal de drogas.

Mesmo estando na terceira temporada, alguns ainda não haviam captado a essência da série: as aparências não importam, o amor é transcendente. Foi o caso de um dos diretores executivos da rede, que em mensagem a Kim Le Master, chefe de programação na época, protestou contra a gravidez da personagem, a qual classificou de bestial.


Vincent e Diana Bennett

O desaparecimento de Catherine abriu o caminho para a entrada da detetive Diana Bennett (Jo Anderson), novo personagem feminino, que chega para investigar o caso. Apesar da popularidade da série e de seu sucesso entre os fãs, especialmente mulheres, a insistência da rede em transformá-la em um drama policial e a perda de Catherine acabou levando ao cancelamento, em agosto de 1990.


André Filho e Monica Rossi
Vincent e Catherine na versão dublada



Ron Perlman e Linda Hamilton atualmente
(cliquem para ampliar)


Explorem a diversidade dos mundos de A Bela e a Fera todas as terças e quintas, a partir de 6 de julho, às 19h, no TCM.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Filme de MacGyver Já Tem Roteirista

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A estréia de "McGrubber", paródia de "MacGyver/Profissão: Perigo", não impediu que a New Line Cinema desse continuidade ao projeto de levar o herói da série dos anos 80 para o cinema. Anunciada em 2009, os trabalhos da versão cinematográfica tiveram início em março desse ano, mas só agora é anunciado o nome de seu roteirista. Trata-se de Jason Richman, roteirista do filme "Em Má Companhia/Bad Company" e autor e produtor da série "Detroit 1-8-7", que irá estrear nos EUA pela NBC na próxima temporada.

A paródia que está em cartaz nos cinemas americanos causou um certo desconforto para os produtores da série; que a vêem como uma produção que poderá prejudicar o lançamento do filme oficial. Eles bem que tentaram impedir o lançamento, mas evidentemente não conseguiram. O curioso é que a paródia originou-se de um quadro do humorístico "Saturday Night Live", no qual o próprio Richard Dean Anderson, intérprete de MacGyver nos anos 80, teve uma participação.

Jason Richman

A série girava em torno de um agente secreto que não utilizava armas de fogo para realizar suas missões. Ele contava apenas com seu conhecimento sobre física, matemática e química para criar as mais diversas ferramentas, as quais o auxiliavam a realizar seu trabalho ou salvar sua vida.

O personagem se tornou rapidamente parte da cultura popular, tendo seu nome sido transformado em verbo, para indicar a capacidade de uma pessoa para resolver problemas com o que tiver à sua disposição. No Brasil, ficou popular a expressão: 'dar uma de MacGyver'. Na época de sua exibição na Globo, matérias de programas jornalísticos chegaram a revelar que vários bebês nascidos nesse período receberam o nome de Magaiver.

Richard Dean Anderson no quadro
"MacGruber" do humorístico SNL

A produção do filme está a cargo de Raffaella De Laurentiis, através da Raffaella Productions, em parceria com Martha DeLaurentiis, Dino De Laurentiis e Lee Zlotoff, criador da série. O elenco ainda não foi escolhido e não há informações sobre uma possível participação de Richard Dean Anderson. O ator Dana Elcar, que interpretava Pete Thorton, o chefe de MacGyver, faleceu em 2005. Outros atores que fizeram parte do elenco semiregular da série são Teri Hatcher (Penny Parker) e Bruce McGill (Jack Dalton).


quarta-feira, 24 de março de 2010

Voyagers! - Viajantes do Tempo no TCM


Viajar pelo tempo é um daqueles temas fascinantes que habitam os sonhos do ser humano e frequentemente são expressos na literatura, no cinema e na TV. Voyagers! é um exemplo desse fascínio, uma série de aventuras e de cunho educativo desenvolvida para a NBC em 1982, e que chegou até nós pelo SBT. Ela começa com uma explicação de Phineas Bogg, o viajante do tempo: Viajamos pelo tempo para ajudar a história a se desenrolar, damos uma mãozinha quando é necessário. Quando a luz fica vermelha, isso quer dizer que a história está errada, e nossa função é colocar tudo nos devidos lugares. Luz verde, guri, conseguimos!

O enredo parte do pressuposto que às vezes a história sai de seu curso natural. Por isso, existe uma sociedade conhecida como Voyagers (ou viajantes), que luta para manter a história no seu curso correto e da qual Phineas Bogg, interpretado por Jon-Erik Hexum, faz parte. Pouco se sabe sobre a vida desse viajante, exceto que ele já foi pirata. Se o nome dele soa familiar é porque, de acordo com a série, ele serviu de inspiração para Júlio Verne ao escrever o romance A Volta ao Mundo em 80 Dias/Around the World in 80 Days, protagonizado por Phileas Fogg.

Para cumprir suas missões, Bogg inicialmente conta com duas ferramentas. Com o Omni, ele é transportado pelo tempo até o ano limite de 1970. Projetado por James D. Parriott (criador da série), o Omni era inicialmente um aparelho usado no pulso, mas quando a produção percebeu que um objeto fixo poderia dificultar ou impossibilitar o desenvolvimento de crises causadas por perda ou roubo do Omini, ele se tornou um instrumento portátil. Ao chegar no período onde a história está sofrendo um desvio, o viajante utiliza um manual, que é na verdade um livro de história, de onde ele pode tirar todas as informações necessárias sobre como os fatos devem se desenrolar (réplicas do manual podem ser adquiridas aqui).


Além de pirata e grande amante das damas, Bogg tem mais sorte do que juízo. Um misterioso defeito no Omni o transporta a Manhattan no ano de 1982, onde além de conhecer seu futuro companheiro de viagens, ele perde o manual na boca de um cachorro. Perdido em uma época incerta e sem nenhum conhecimento de história (parece que Bogg não era um bom aluno), ele tem a sorte de encontrar Jeffrey Jones (Meeno Peluce), um menino inteligente, cujo pai fora professor de história e de quem ele aprendeu o suficiente para ajudar Bogg a consertar os fatos e continuar sua jornada. Mais adiante, descobrimos que sua queda em 1982 não foi realmente um acidente, pois o órfão Jeffrey estava destinado a ser seu parceiro. Nessas jornadas, os viajantes encontram diversas personalidades importantes em momentos críticos de suas criações. Eles, por exemplo, ajudam os irmãos Wright a criarem o avião, salvam Abraham Lincoln de um sequestro e dão dicas que levam Thomas Edison à desenvolver a lâmpada.



Quando James D. Parriott criou a série, o protagonista que ele tinha em mente era um homem de aproximadamente 40 anos. Mas Jon-Erik Hexum, que desejava muito o papel de Phineas Bogg, convenceu Parriot que o viajante seria mais convincente se fosse interpretado por um ator mais jovem, já que o público ao qual a série se destinava era composto principalmente por crianças e adolescentes. De fato, Voyagers! foi produzida pela Scholastic Productions, uma editora de livros infantis que também produz programas de TV. Através das aventuras de Bogg e Jeffrey, cada episódio era uma lição de história, cultura ou ciência, que terminava com uma mensagem de Jeffrey aconselhando os jovens a visitarem a biblioteca para descobrir mais detalhes sobre o tópico abordado.


A inspiração para Voyagers surgiu do fascínio de Parriott e Stu Sheslow (produtor da NBC na época) pelo desenho História Improvável/Peabody and Sherman, da série animada Rocky and Friends. Peabody era um cachorro gênio que adotara um menino e criara uma máquina do tempo, com a qual não apenas presenciavam fatos históricos, mas também consertavam aqueles que não estavam se desenrolando como devido.


Pois certo dia, Parriott e Sheslow saíram para almoçar e conversar sobre o tema. Quando Parriott voltou para casa, começou a desenvolver o enredo para Voyagers! Experiência com TV não lhe faltava, pois já havia feito roteiros para Cyborg: O Homem de Seis Milhões de Dólares/The Six Million Dollar Man, O Homem Invisível/The Invisible Man, Gemini Man, A Mulher Biônica/The Bionic Woman e O Incrível Hulk/The Incredible Hulk, entre outras.

Sua experiência e o aspecto didático do programa, contudo, não foram suficientes para mantê-lo no ar por muito tempo e a série foi cancelada em julho de 1983, com apenas 20 episódios. Um dos problemas foi a concorrência com 60 Minutes. A série também foi atacada pela National Coalision Against TV Violence, que a achava muito violenta. Jon-Erik Hexum saiu em defesa, se declarando contra o que classificava de absurdo. “Eles não levam em consideração o contexto nem a intenção, que é o que realmente conta. Se eu pegasse um pirata pelo nariz, eles chamariam de excesso de violência.”

Voyagers! teria saído do ar no 15º episódio (The Trial of Phineas Bogg) se um grupo de fãs liderados por Debbie Sheldon, Margo Coburn, Tracy Graham e Shelagh Collins não tivessem feito uma campanha para completar a temporada. Até mesmo Hexum se engajou nos esforços, enviando cinco mil pôsteres a escolas por todo o país, e dando entrevistas na TV e no rádio em mais de 28 cidades até o início de dezembro de 1982.

Além da concorrência e das alegações de violência, a série também enfrentou os elevados custos da recriação de cada época visitada por Bogg e Jeffrey. Para limitar os custos, a produção foi obrigada a reciclar, utilizando cenas de outros filmes. O resultado eram montagens com cenas de qualidades distintas, às quais ainda eram acrescentados efeitos de baixo custo e a utilização evidente de dublês.





Voyagers! Encerrou dia 10 de julho de 1983 com o episódio Jack’s Back, no qual Bogg e Jeffrey chegam em 1889, a tempo de salvar a famosa repórter Nellie Bly das mãos de Jack, O Estripador. No local do ataque, Jeffrey fica deslumbrado com a capacidade dedutiva do Dr. Arthur Conan Doyle, que por sugestão do menino, utiliza Sherlock Holmes como inspiração nas buscas pelo assassino. Uma das pistas de Nellie é um objeto prateado visto com o criminoso. Quando ela vê o mesmo objeto (Omni) nas mãos de Bogg, ele é preso. A única explicação, Bogg percebe, é que seu inimigo, o viajante vilão Drake, está de volta. Drake (Stephen Liska) já havia causado problemas a Bogg no episódio The Trial of Phineas Bogg, no qual tentara incriminá-lo com falsas acusações no tribunal dos viajantes. Desacreditado por seus próprios crimes envolvendo a história, Drake fora banido e fugiu pelo tempo. Em sua volta, ele ajudou a concluir a série com muita ação, em um episódio considerado pelos fãs como um dos melhores de Voyagers!


Revejam a série todos os sábados, a partir do dia 3 de abril, no canal TCM, às 12h, com reprise às 4h.

A seguir, uma amostra da dublagem, na abertura.



Apreciem também nossa galeria de fotos.
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terça-feira, 16 de março de 2010

Scott Bakula Fala Sobre Filme de Contratempos


Se você é fã de "Contratempos/ Quantum Leap" com certeza, está se sentido frustrado(a). A série que lançou o ator Scott Bakula e trouxe Dean Stockwell de volta à TV, pode ser muito famosa nos EUA, mas é desconhecida no Brasil. Pelo menos é o que concluiu a distribuidora Universal quando lançou a primeira temporada em DVD. Depois do encalhe, cancelaram a distribuição da série nessa mídia.

O problema é que não souberam oferecê-la ao mercado, visto que sua estrutura é meio complicada para a mentalidade mediana de pessoas que avaliam o conteúdo pela capa. Ficou escondida nas prateleiras, não teve promoções, e não teve divulgação apropriada. Tem fã que até hoje nem sabe que a primeira temporada saiu em DVD.

Fora da programação de qualquer canal e sem os lançamentos, a expectativa era a de que a tão prometida versão cinematográfica saísse logo do papel, enquanto os atores estão inteiros e saudáveis para estrelarem o filme. Volta e meia se fala nele, mas tudo o que se fala é que está difícil de acontecer.

Essa semana o ator Scott Bakula conversou com a revista TV Guide porque está no elenco da série da TNT, "Men of a Certain Age", que tem tido uma boa receptividade de público e crítica. Tanto que já foi renovada para a segunda temporada. O ator também fará uma nova participação na série "Chuck" na qual interpreta o pai do "espião por acaso". Conversa vai, conversa vem, a repórter se lembrou de "Contratempos" e fez a tão aguardada pergunta. "Quando sai o filme?"


Bakula disse que não tem previsão. Segundo o ator, ainda se fala sobre o assunto nos bastidores da Universal, mas a situação está complicada em função dos direitos autorais. Ninguém sabe ao certo o que pertence a quem. Bakula disse que a série foi produzida por dois estúdios (Belisarius Productions em parceria com a Universal TV), mas que os direitos de produção do filme foram vendidos a outro estúdio (não citou qual), que os teria vendido a uma outra empresa (não citou qual).

Ainda segundo Bakula, Don Belisario, autor e produtor da série, tem interesse em uma versão cinematográfica, bem como Stockwell. Nesse meio tempo, chegou a existir um projeto de se produzir uma versão australiana da série, mas não foi adiante.

Por curiosidade, em 2009 foi produzido um fã filme, com o apoio de Deborah Pratt, uma das principais roteiristas da série e ex-esposa de Belisario. Escrito e dirigido por Christopher Allen, o filme recebeu o título de "Quantum Leap: A Leap to Di For", disponibilizado gratuitamente na Internet.

Video com cenas da série com música cantada por Scott Bakula 
no episódio em que ele troca de lugar com Elvis Presley

Como bem se recordam, a série gira em torno de Sam Beckett (Bakula), um cientista que viaja em seu próprio período de vida, trocando de lugar com pessoas no passado para consertar o que uma vez saiu errado. As pessoas com as quais ele se relaciona, vêem a imagem da pessoa com quem ele trocou de lugar.

Assim, ele já foi menino, adolescente, velho, mulher, louco, deficiente mental, vampiro, Elvis, guarda-costas de Marilyn Monroe, Lee Harvey Oswald, ensinou Michael Jackson a dançar, e foi até macaco! No tempo futuro, os amigos de Beckett tentam ajudá-lo a trazê-lo de volta, enquanto convivem com a pessoa que trocou de lugar com ele (que tem a aparência de Beckett). Graças à tecnologia de Ziggy, um computador híbrido, Al Calavicci (Stockwell), consegue projetar sua imagem para o tempo em que Beckett está, podendo ser visto e ouvido somente por ele graças à conexão estabelecida via suas ondas mentais.  

O último episódio se tornou um clássico. Sem muitas respostas, a não ser as interpretativas, ele entrou para a história das séries de TV, sendo adaptado por outras produções, como "Stargate SG-1" e "Warehouse 13".


Na história, do fã filme, Sam Beckett troca de lugar com um jovem americano de 26 anos que está visitando Paris, na França. O ano é 1997, o dia é...24 horas antes da morte da Princesa Diana. Concluindo que sua missão divina é evitar a morte de Diana, Sam terá que agir sozinho, já que um corte no orçamento fechou o projeto Quantum Leap em seu próprio tempo. Sem a ajuda de Ziggy ou Al, ele passa a utilizar a tecnologia da época. Mais tarde ele consegue entrar em contato com o Presidente Americano, convencendo-o da importância de sua missão. Assim, o Presidente ordena, no tempo presente, que o projeto seja posto em prática. Trabalhando com a equipe dos anos 90, Sam descobre sua verdadeira missão.

Joshua Ramsey interpretou Sam Beckett e Ed Erntess, foi o Almirante Al Calavicci. Deborah Pratt fez a voz de Ziggy. Confira o trailer abaixo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tá Pensando Que Sou Caipira?!


Com estas pérolas de sabedoria, Zeca disfarçava sua ingenuidade do interior de Minas sempre que era surpreendido pelas sutilezas da cidade grande. Mas Zeca não era mineiro e nem se chamava Zeca. Era na verdade o imigrante Balki Bartokomous que partira de Mypos, uma ilha no mediterrâneo, em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. Em Chicago, encontra seu primo americano distante, o astuto Larry Appleton. Assim, avesso e direito se encontram e se chocam na série cômica Primo Cruzado/Perfect Strangers, resultando em cenas hilárias e tocantes, frequentemente coroadas com a dança da felicidade/dance of joy.



Tão interessante quanto a própria série, seu nascimento ocorreu durante os jogos olímpicos de 1984, nos Estados Unidos, quando seus mentores Thomas L. Miller, Robert L. Boyett e Dale McRaven observaram a maneira como os estrangeiros interagiam com os americanos. Neste mesmo ano, Bronson Pinchot ficara conhecido pelo papel de Serge no filme Um Tira da Pesada/Beverly Hills Cop e logo chamou a atenção do time, tornando-se primo Balki, ou Zeca, sem precisar de teste.

Com o título de The Greenhorn, Miller e Boyett apresentaram a ideia ao presidente da ABC, Brandon Stoddard. Para que a nova série não enfrentasse a competição das novas temporadas no outono de 1986, Stoddard sugeriu que eles produzissem seis episódios para colocar no ar o mais breve possível, no privilegiado horário das terças à noite, entre Quem é o Chefe?/Who’s The Boss? e A Gata e o Rato/Moonlighting. Para cumprir esse acordo, eles reuniram o elenco certa manhã e três semanas depois a série estava no ar. Apesar do ritmo acelerado, ou talvez por causa dele, Bronson Pinchot fazia muitas improvisações. Em uma delas, exclamou “Don’t be ridiculous!” e a frase, conhecida por nós como “tá pensando que sou caipira” ou “larga mão de ser besta”, pegou.

A busca pelo primo americano resultou em um piloto no qual o personagem foi batizado de Lou Appleton e interpretado por Louie Anderson. A parceria, no entanto, não funcionou e outros atores foram chamados. Quando Mark Linn-Baker apareceu, foi química à primeira vista. As fotos da abertura e do piloto, a seguir, mostram Anderson em ação. Parte dessa abertura, filmada no Disney Ranch em novembro de 1985, foi reutilizada na abertura final.




Através dela, ficamos sabendo que tanto Balki quanto Larry deixaram seus lares em direção à cidade grande. Quando, no piloto (Uma Visita Inesperada/Knock, Knock ... Who’s There?), Balki chega, seu primo Larry já está estabelecido em um pequeno apartamento, pertencente ao mesquinho Donald Twinkacetti (Ernie Sabella), a quem também pertence a loja Ritz Discount, onde Larry tem um emprego que detesta. Seu sonho é ser fotógrafo profissional. E o sonho não inclui dividir seu lar com um parente. Afinal, essa é a primeira vez que ele tem a oportunidade de viver sozinho. Porém, diante, da decepção de Balki, que já está prestes a se desmanchar em lágrimas, Larry decide acolher o primo até ele arranjar um emprego e ter onde ficar.


Mas como encontrar um emprego de tirador de leite em Chicago?! Após muito procurar, Balki declara com surpresa: “Nossa, uma cidade grande como Chicago e não tem nenhum anúncio pra tirador de leite de vaca.”

Eternamente grato pela hospitalidade de Larry, Balki tenta retribuir a gentileza auxiliando o primo na Ritz, mas ao contrário do que intencionava, provoca um embaraço financeiro ao vender mercadorias no valor de 200 dólares por apenas 45. Para pagar o prejuízo, Balki convence Twinkie a lhe dar um emprego, afirmando ser bom em consertos. De fato, ele conserta um rádio antigo, cujo potente som acaba destruindo diversos objetos de vidro. Mas eles têm sorte, Twinkacetti fica furioso, mas não os despede, pois acha mais lucrativo fazer retiradas mensais de seus salários até liquidarem a dívida.

Os primos, Twinkacetti e Susan (Lise Cutter)

Essa amizade estreou nos Estados Unidos, em março de 1986, na ABC, e aqui no Brasil, em 1987, pela Rede Globo, dentro da Sessão Comédia, horário dedicado a séries cômicas que iam ao ar de segunda à sexta, às 17h20. Como na época, nossa moeda corrente havia mudado para o Cruzado, ela inspirou o título e deu ao imigrante uma nova identidade: em vez de Balki Bartokomous, ele se tornou Zeca da Silva Taylor, um caipira vindo de Minas Gerais, que recebeu um sotaque tipicamente local na voz do dublador Newton da Matta. Para dublar Larry, a Herbert Richers escalou Eduardo Borgerth, enquanto Twinkacetti recebeu o talento de Amaury Costa.

Embora o visual de Zeca não correspondesse a um típico mineiro, suas falas adaptadas tentavam com frequência refletir o momento de nosso país. Ao lhe oferecer um emprego com salário mínimo, por exemplo, Twikacetti recepciona Zeca dizendo: “Sejam bem-vindos ao mundo maravilhoso dos endividados.” Surpreso, Zeca declara: “Então ainda sou brasileiro.”

Ao longo da temporada, vemos a saída da vizinha Susan (Lise Cutter), no episódio A Greve/The Rent Strike. É também nessa temporada, no episódio Confusão à Beça/Hunks Like Us, que os primos conhecem as jovens que ao final da série tornam-se suas esposas: Jennifer (Melanie Wilson), futura esposa de Larry, e Mary Anne (Rebecca Arthur), futura esposa de Zeca.


Para impressionar as belas comissárias de bordo, eles entram para uma academia e passam o dia inteiro se exibindo para elas enquanto se exercitam. À noite (após um longo cochilo), quando deveriam ter um lindo jantarzinho romântico, eles não conseguem se mover. Antes que tenham a chance de cancelar o encontro, elas aparecem. A graça resulta de suas tolas tentativas de camuflar suas terríveis dores musculares.



Durante os ensaios desse episódio, Pinchot foi o protagonista de uma situação embaraçosa. Os quatro estavam sentados no sofá da sala de Larry, rindo de forma incontrolável. Normalmente, as pessoas choram de tanto rir, mas Pinchot acabou fazendo xixi de tanto rir. Vocês podem ver o próprio ator contar essa estória nessa entrevista de 1989.



A terceira temporada abre com um lar e empregos novos para ambos. Para Larry, trabalhar como assistente do editor chefe do Chicago Chronicle significa um passo em direção à realização de seu sonho: fotógrafo jornalístico. Para Zeca, seu trabalho na distribuição de correspondência tem duplo significado, pois não apenas avançou na vida, mas também, ao conquistar essa posição, atraiu para si o eterno desprezo de Sam Gorpley (Sam Anderson), que pretendia empregar seu sobrinho na correspondência.

Sam Gorpley

Nesse novo ambiente de trabalho, eles fazem amizade com a simpática ascensorista Harriette (JoMarie Payton) e a colunista social Lydia (Belita Moreno), que também interpretara Edwina Twinkacetti e reaparece como Lydia no episódio Couch Potato. Ao conhecer a ascensorista, Zeca comenta com ingênuo senso de humor: “Seu trabalho deve ter seus altos e baixos.”

Harriette e Lydia


Devido a uma greve de roteiristas entre março a agosto de 1988, a quarta temporada só estreou em outubro. Ela também chegou com um acidente durante as filmagens do episódio Treinamento Agressivo/Assertive Training, dia 28 de setembro. Na cena, Zeca deve sacudir Larry pelos ombros, mas ao aplicar demasiada força ao gesto, Pinchot e Baker bateram com suas cabeças. O choque violento não apenas os derrubou, mas provocou um corte na testa de Baker e fez o dente de Pinchot entrar no palato. Tanto a plateia quanto a equipe técnica pensaram se tratar de uma brincadeira, até perceberem que nenhum dos dois se movia. Eles foram retirados de cena e voltaram 15 minutos depois para terminar as gravações. Somente mais tarde, foram levados ao hospital, onde Baker recebeu pontos e Pinchot deu início a um tratamento de canal.

Este não foi o único incidente. Enquanto filmavam uma cena de areia movediça do episódio Subindo o Rio Tranquilo/Up a Lazy River, água e sujeira entraram nos ouvidos de Pinchot, provocando uma infecção. Em consequência, o ator ficou ausente das gravações por uma semana, o que foi solucionado com um episódio em flashback, intitulado College Bound.

Outro acontecimento marcante nesta época foi o nascimento de uma nova série, no episódio Crimebusters, no qual o marido de Harriette é finalmente apresentado ao público. Harriette e Carl Winslow (Reginald Veljohnson) mudam-se para o prédio de Larry e Zeca, permanecendo em Primo Cruzado até o final da temporada, quando então estrearam sua própria série cômica, Family Matters, em setembro de 1989. Zeca e Larry deveriam aparecer no piloto de Family Matters, mas a cena foi retirada na edição final. Crimebusters também deu a Larry a chance de trabalhar no time de repórteres investigativos. Essa também é a temporada de um dos episódios mais divertidos da série, O Rei e Eu/The King and I, no qual sob o efeito de hipnose, Zeca acredita ser Elvis Presley. Para fazer sua imitação, Bronson estudou profundamente o artista e assim conseguir repetir seus maneirismos.


Como durante muitos anos a crítica havia comparado Primo Cruzado a The Honeymooners, a produção decidiu fazer uma homenagem à antiga série no episódio I Saw This on TV, da sexta temporada. Tudo começa quando Larry inesperadamente ganha ingressos para uma grande partida de beisebol. Como já havia prometido levar Jennifer ao balé, ele mente que vai trabalhar. Zeca, como sempre contrário a mentiras, tenta argumentar com Larry contando sobre um episódio de The Honeymooners, no qual ele vira exatamente a mesma situação. À medida que relata a estória, a cena se transforma, fica em preto e branco e apresenta Pinchot e Baker nos papeis de Ed Norton e Ralph Kamden, respectivamente.



Outro tributo a uma dupla famosa seria feito na sétima temporada, no episódio The Gazebo, onde eles personificam Stan Laurel e Oliver Hardy, reprisando um dos temas clássicos de O Gordo e o Magro: construtores ou reparadores. Curiosamente, embora casados, os primos continuam morando juntos. Isso porque, após casarem, Larry e Jennifer compraram uma enorme casa, que só poderiam manter se tivessem alguém com quem dividir: Zeca e Mary Anne.


Esta temporada também presta homenagem a um personagem fixo do qual ainda não falamos e sobre o qual vocês já devem estar se perguntando. E o Cruzadinho?? Lógico que vamos falar sobre ele, larga mão de ser besta, tão pensando que a gente é caipira?! O singelo carneirinho de pelúcia, foi durante toda a série o companheiro inseparável de Zeca. Batizado no original de Dimitri, ele inclusive teve um episódio em sua homenagem, na sétima temporada, intitulado Dimitri’s World. Aqui, Wainwright (F.J. O’Neil), diretor do Chronicle, transforma Cruzadinho no personagem central da nova tira de quadrinhos do jornal interno, marcando assim o começo da carreira de cartunista para Zeca.

Como nessa época a série havia sido transferida para um horário mais tarde, houve uma leve mudança na linguagem, permitindo a inclusão de sutis piadas envolvendo sexo, o que era muito conveniente já que Larry e Jennifer estavam casados e logo Zeca e Mary Anne fariam o mesmo.

The Wedding (casamento de Larry e Jennifer)

Get Me to the Dump on Time
(casamento de Zeca e Mary Anne)


Mas outras alterações causaram uma acentuada queda na audiência. Quando a ABC decidiu transferir a série para sábado, ela passou da posição 35 para 65. Percebendo que Primo Cruzado estava prestes a ser cancelada, os fãs iniciaram uma campanha. O resultado foi tão positivo, que a ABC desistiu de cancelar a série, preferindo dar uma pausa nas gravações. Mais seis episódios foram então encomendados para dar à produção a chance de concluir a estória. Quando a temporada final foi ao ar, um ano e meio se passara desde a anterior. Agora Jennifer e Mary Anne estavam grávidas.


Com a chegada dos bebês no último episódio, a série encerra com uma montagem das cenas mais memoráveis ao som de Unforgettable. Assumindo seus personagens uma última vez, Pinchot e Baker se despedem fazendo uma emocionada dança da felicidade, durante a gravação de Up Up and Away, episódio duplo apresentado dia 6 de agosto de 1993.


Gravação do último episódio

Divirtam-se assistindo aos erros de gravação, nos dois primeiros vídeos, e a um comercial da série, com música interpretada por Mark Linn-Baker e Bronson Pinchot (1988).



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