segunda-feira, 3 de maio de 2010

Séries Sobre Relações Familiares é 'Moda'?

Papai Sabe Tudo

Lendo matérias de jornais, revistas e sites brasileiros sobre a estreia de "Modern Family" hoje pela Fox Brasil às 22h, percebi que a maioria se apóia na mesma ideia de que as séries centradas na família estão de novo na moda. Então me pergunto: quando foi que saíram de moda para poderem retornar? Séries centradas nas relações familiares sempre foram a base da produção americana, valorizando ou não os laços.

A TV surgiu pelas mãos dos empresários que mantinham estações de rádio. Era um investimento a longo prazo, em especial da RCA (de onde surgiu a NBC), que visualizava a televisão como um rádio com imagens. O rádio era um veículo de entretenimento e informação que servia para reunir toda a família em torno dele. Quando a TV surgiu, ela se apoiou nessa imagem; os anúncios trabalharam essa ideia de que a TV, tal qual o rádio, era um veículo para reunir toda a família. A maioria dos programas dos anos 50 seguia regras que obrigavam os roteiristas e manter os valores familiares em suas séries, em especial as comédias como "Papai Sabe Tudo".

Chaparral

Nos anos 60, com os movimentos culturais e políticos nas ruas, os noticiários na TV, bem como com a implementação do sistema à cores, as produções foram se tornando mais realistas e as famílias televisivas começaram a incorporar os desajustes sociais. Na série "Chaparral" é apresentada relação complicada entre pai e filho. Batizado com o nome do cachorro do pai, Blue, o filho tenta desesperadamente conquistar o amor, respeito e admiração do 'velho'; enquanto que este só quer saber dos negócios e em transformar o filho em um homem de personalidade dura como ele. Sem falar que o pai casou-se com uma mexicana por conveniência, para selar o acordo de amizade entre ele e a família que dominava a região.

Em "Big Valley", temos um filho bastardo que após a morte do pai, chega ao rancho exigindo seus direitos como filho natural. Em "Lancer", temos um pai que 'contrata' os dois filhos, um de cada esposa, que cresceram longe dele. Sem oferecer amor ou amizade, mas partes iguais no rancho se concordarem em ajudá-lo a mantê-lo. Nas sitcoms, temos o melhor exemplo de conflitos sociais, com "A Feiticeira", que discute preconceitos, o capitalismo e as relações sem amor (o casamento por acomodação, bem como o amor livre), sem falar de "Os Monstros" ou "A Família Addams". 


Nos anos 70 surgem as séries que resgatam os valores familiares propagados nos anos 50, com "Os Waltons", "Happy Days" e "Os Pioneiros", grandes sucessos da década que influenciaram gerações. Em paralelo, temos uma das primeiras séries dramáticas familiares de sucesso, situada nos tempos atuais: "Família", de Aaron Spelling, que apresenta um casal de meia-idade, incapaz de ajudar os filhos. Esses são, uma mulher recém divorciada que luta pela custódia do filho; um jovem que não sabe o que fazer de sua vida, pulando de trabalho em trabalho e de relação em relação; além de uma pré-adolescente que se sente culpada pela morte do irmão mais novo. Homossexualidade na adolescência e estupro, foram um dos muitos temas que a série abordou, ajudando a romper padrões televisivos. A década de 70 também trouxe o mega sucesso das séries 'subversivas': "Tudo em Família", que abriu caminho para "Os Simpsons".

Cosby Show

Na década de 80 os valores familiares se mesclaram às questões controversas, com séries como "thirtysomething", "Sisters", "The Bill Cosby Show", "Caras e Caretas/Family Ties", "Vivendo e Aprendendo/Facts of Life", "One at a Time", "Dallas", "Um Amor de Família", "Who's the Boss?", e muitas outras. Nos anos 90 tivemos "Blossom", "Sisters", "Minha Vida de Cão/My So Called Life", "Gente Pra Frente/Home Improvement", "Roseanne", "Louco por Você/Mad About You", "Everybody Loves Raymond", "Malcolm in the Middle", "7th Heaven", "The Nanny", "Dharma & Greg", "O Quinteto/Party of Five", "Frasier", "Dra. Quinn", "Once and Again", e tantas outras.

Gilmore Girls

Na atual década tivemos, ou temos, "Life with Bonnie", "The Riches", "Desperate Housewives", "Aliens in America", "Jack & Bobby", "Everwood", "Providence", "Pasadena", "Gilmore Girls", "Todo Mundo Odeia o Chris/Everybody Hates Chris", "A Juíza", "Eu, a Patroa e as Crianças/My Wife and Kids", "8 Simple Rules... for Dating My Teenage Daughter", "Reba", "It's All Relative", Three Sisters", "What I Like About You", "Sabrina, Aprendiz de Feiticeira", "Nikki", "Hope & Faith", "Maybe It's Me", "A Sete Palmos/Six Feet Under", "Army Wives", "Dirty Sexy Money", "Two and a Half Men", "Sons of Anarchy", "Grounded for Life", "Tell Me You Love Me", "United States of Tara", "Brothers and Sisters", "Life Unexpected", "Parenthood", "Modern Family", "The Middle" bem como as animações "Uma Família da Pesada" e "The Cleveland Show". Sem mencionar os quilhões de séries produzidas por canais especializados como o ABC Family, Nickelodeon e o Disney.

Foram as séries familiares que saíram de moda, ou seja, deixaram de gerar interesse de público, ou foi a imprensa que parou de lhes dar valor? O que ocorre é que, no momento, a TV americana está em transição entre um mega sucesso e outro; enquanto o próximo 'arrasa quarteirão' não chega, as séries que sempre existiram e tiveram público, chamam a atenção da mídia.

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