Proposta de Mudanças na Estrutura das Temporadas

A proposta, que está sendo apresentada às emissoras ABC, CBS, CW, FOX e NBC, é esticar as estréias para um ano inteiro, e não esperar até setembro como tem sido feito há cinco décadas. Segundo Charlie Rutman, Diretor Executivo de Operações da área Norte da MPG, uma agência de publicidade, o problema da estrutura atual reside no fato de que as novas séries estréiam em setembro e a maioria é cancelada logo em novembro. Com isso, toda a preparação e investimentos feitos não duram mais que três meses. Decentralizando as estréias de novas séries proporcionaria uma melhor estrutura na venda de espaços publicitários.
Atualmente, as emissoras vendem em maio seus espaços publicitários das séries e demais programas que vão estrear na próxima Temporada. Assim, o mês de setembro se torna extremamente caro, acarretando em um evento da mídia que não se justifica por mais de três meses tendo em vista a baixa audiência de programas que são logo cancelados. "As pessoas querem comprar espaços na TV com antecedência" disse Wayne Friedman, Editor do MediaPost Communications, "mas não precisa ser necessáriamente tudo em maio".

A idéia das agências é que uma série de sucesso pode ser lançada em qualquer época do ano. Com as estréias espalhadas ao longo do ano, as agências poderiam, inclusive, conseguir um maior número de anunciantes para cada programa, já que os espaços publicitários não estariam limitados a um número X de programas de uma única vez. As campanhas publicitárias seriam vistas por um maior número de pessoas que não teriam a necessidade de escolher um novo programa para assistir dentre as dezenas que estréiam ao mesmo tempo.
Na verdade, a proposta não é inédita, visto que essa é a estrutura utilizada pela TV a cabo nos EUA. Elas não seguem o padrão de Temporada criada pela TV aberta. As séries são disponibilizadas quando ficam prontas para ir ao ar e os canais dão a cada uma a divulgação necessária, sem distinções. A TV a cabo também não produz o mesmo número de episódios que as séries da TV aberta produz, ficando com uma média de 10 a 15 episódios contra os 22 da TV aberta. Sendo que, nos anos 50 e 60, a TV aberta produzia uma média de 30 a 40 episódios por temporada.
Com essa mudança, as emissoras poderiam investir melhor seu dinheiro e não perderiam tempo produzindo séries que não têm a menor chance de dar certo. Atualmente, elas fazem isso para preencher programação de estréias. A TV a cabo não faz isso, principalmente porque não tem tanto dinheiro, ou anunciantes, assim para investir.

Para o público, a vantagem seria a possibilidade de conhecer novos programas, sem ter que escolher em detrimento de outro. Com isso, aumentam as chances de uma série ter audiência em seus primeiros meses, garantindo uma durabilidade maior.
Outra sugestão das agências é a produção de um número maior de séries com histórias fechadas em episódios únicos, como era feito antigamente, possibilitando atrair novos telespectadores a qualquer momento. Isto, sem deixar de lado as séries com episódios contínuos, que seguram o público para a próxima semana.

A FOX decidiu adotar de imediato a proposta das agências. Segundo Peter Liguori, um dos diretores da empresa, ao jornal Variety, "nossa estratégia de seleção para novos programas será a mesma, o que mudaremos será a forma como será feito o desenvolvimento e a produção do programa, que seguirá nossas necessidades". A emissora já anunciou que irá trabalhar com a venda de espaços publicitários para 52 semanas, ou seja, pouco mais de um ano. A mesma estratégia está sendo feita pela NBC que cancelou a produção de vários pilotos de séries e programas.
O gasto que as emissoras abertas têm com a produção de novos pilotos não se justifica mais. Em 2007, investiram cerca de 500 mil dólares com a produção de roteiros para novas séries, que resultou na produção de 80 pilotos, dos quais, apenas oito foram selecionados para ser transformado em séries, as quais não atingiram bons índices de audiência.

De acordo com um estudo realizado pela Association of National Advertisers and Forrester Research - ANAFR, a opção de disponibilizar comerciais pelo sistema Video-On-Demand está sendo aceita por 65% dos anunciantes, enquanto que 43% deles procuram produzir comerciais interativos. Já 32% busca divulgar seus produtos através do Menu das emissoras. Este ano, a Internet deverá ser uma opção para 87% dos anunciantes entrevistados pela pesquisa.
As mudanças de estrutura estão apenas começando. Ao longo da próxima década o público deverá testemunhar uma reformulação completa da programação televisiva e da forma como se faz televisão, ao menos, nos EUA.
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