quarta-feira, 21 de abril de 2010

Jeannie é um Gênio no Cinema


Você, fã de "Jeannie é um Gênio" e que acompanha a novela em que se transformou a versão cinematográfica da série, aqui vai mais um capítulo: o jornal Los Angeles Times divulgou hoje a contratação de Sheila Callagham para escrever um novo roteiro do filme.

Sheila, que é autora teatral e uma das roteiristas da série "United States of Tara", é a terceira a tentar oferecer um roteiro que seja aprovado pela Sony. Antes dela, a versão cinematográfica da série dos anos 60 teve um roteiro assinado por Cormac e Marianne Wibberley, e um outro escrito por Rita Hsiao. Nenhum aprovado. E já que sem roteiro não tem filme, o estúdio ainda não conseguiu levar o projeto adiante. Há algum tempo atrás, os nomes de Gurinder Chandha, na direção, bem como os de Jessica Alba e Lindsay Lohan, para estrelar, chegaram a ser cogitados, mas não deu certo e a produção voltou à estaca zero.

Seguno o jornal, a maior dificuldade dos roteiristas tem sido adaptar o enredo da série para os dias de hoje. Produzida entre 1965 e 1970,  "Jeannie é um Gênio" é uma série que trabalhou as ideias feministas e da contracultura de forma indireta, via subterfúgios, mesclados a comportamentos e mentalidades tradicionais.


Embora seja apresentada pela mídia como uma produção na qual a mulher é vista como escrava de seu amo, a série é justamente o contrário. Ela introduz uma personagem feminina que seria o sonho de qualquer homem, mas que tem seus próprios desejos e interesses, lutando por realizá-los. A série é, na verdade, bem feminista, pois na forma de alegorias apresenta a luta da mulher contra a submissão social através do aprisionamento na garrafa ou às regras impostas por Nelson, um representante do governo.

"Jeannie é um Gênio" surgiu em função do sucesso de "A Feiticeira", produção da Screen Gems para a rede ABC. Um dos artifícios da televisão para captar audiência é vigiar os tipos de programas que conquistam público nos canais concorrentes para se produzir um igual ou na mesma linha. Foi assim que surgiu "Os Monstros" em relação à "Família Addams" e "Jeannie é um Gênio", em relação à "Feiticeira". O irônico é que a rede NBC encomendou a produção para a mesma produtora, a Screen Gems. Bom para o estúdio que ganhou dos dois lados.

Assim, Sidney Sheldon, que já tinha criado "O Show de Patty Duke", foi chamado para desenvolver uma série seguindo a mesma linha de "A Feiticeira". Conhecido pelas publicações den seus romances, Sidney decidiu romper com o imaginário popular no qual os gênios são velhos gorduchos ou homens com visual diabólico. Assim surgiu Jeannie, uma jovem passional, ingênua e sexy que se apaixona logo de cara pelo primeiro homem que vê depois de uns dois mil anos aprisionada em uma garrafa.


O Marjor Nelson (na época Capitão) encontra a garrafa de Jeannie perdida em uma praia. Ao libertar o gênio, ele se torna a contragosto, seu amo e senhor. Noivo da filha do general, e com uma carreira brilhante à sua frente, a última coisa que Nelson precisa é de uma loira sexy e apaixonada capaz de realizar todos seus desejos. Então, ele faz o que ninguém faria: a dispensa. Mas Jeannie não é o tipo de mulher que leva um não na cara. O que ela decide fazer é lei, pelo menos para ela. Então o gênio dá um jeito de se meter na vida de Nelson, destruir seu noivado e colocar sua carreira em risco constantemente.

Enquanto Nelson vive na gangorra do 'quero e não quero' ele compartilha com seu melhor amigo o segredo de ter um gênio particular à sua disposição vivendo em uma garrafa em sua casa. Major Riley é o oposto de Nelson: sem um futuro brilhante, sem um relacionamento sério e (quase) sem nenhuma moral para impor limites nas tentativas de conseguir realizar todos seus desejos. Perseguido pelo Dr. Bellows que jura ter visto um elefante branco na sala de estar de Nelson, o Major tenta manter sua saúde mental, enquanto procura encontrar uma forma de conviver ou se livrar de Jeannie...o que vier primeiro.

O primeiro ano de "Jeannie é um Gênio" foi produzido em preto e branco. O fato ajudou a disfarçar uma pretuberância da atriz: grávida de seu único filho, Barbara Eden passou uma boa parte da primeira temporada escondendo o ventre por detrás dos véus do figurino de harém de sua personagem.

A série se manteve até o quinto ano, quando os produtores decidiram realizar o sonho dourado de Jeannie, casar-se com o Major Nelson. Com isso, destruíram o ingrediente que fazia da série um sucesso junto ao seu público. Em plenos anos rebeldes, época em que jovens lutavam contra a censura e as arbitrariedades da sociedade enquanto as mulheres exigiam seus direitos sociais, Jeannie representava uma forte aliada à contracultura. Solteira, independente e sexy, morava com um oficial do governo sem ser casada com ele. Enquanto Nelson só se preocupava com suas missões secretas e explorações espaciais, Jeannie queria apenas se divertir, amar e ser amada. No momento em que se casam, ela se torna a dona de casa preocupada com afazeres domésticos, as aparências, em receber os amigos e colegas do marido, com as contas, etc. A mulher tinha sido domada, e o público a abandonou por isso.


De qualquer forma, a série conseguiu em seus quatro primeiros anos, apresentar algumas questões feministas e sociais da época. Tal como Lucy nos anos 50, Jeannie representou a mulher que luta por seus desejos, mesmo não sabendo como conseguir realizá-los. É a mulher que não se deixa sufocar pela sociedade em que está inserida. Quer fazer parte dela, mas sem se anular.

É certo que a série teve de se submeter à censura. Se você pensa que "Kyle XY" foi o primeiro personagem da TV a não ter umbigo, está redondamente enganado. Depois que a atriz deu à luz, os véus que cobriam seu ventre começaram a diminuir de tamanho, até chegar na altura do pescoço. Para desespero dos censores, o umbigo da atriz ficou à mostra. Considerado muito provocador, o umbigo foi coberto pela cintura da calça de harém, que subiu até a altura necessária. Assim, Jeannie entrou para a história como a primeira mulher sem umbigo da TV. Outra questão que sofreu censura foi o fato dela morar com um homem sem ser casada. Bem que ela tentou dormir no mesmo quarto que Nelson, mas ele, movido pelos desejos dos censores, a proibiu. Então Jeannie teve que dormir em sua garrafa mesmo.

Essas e outras questões inerentes da época fazem parte da construção da série e seus personagens; em função disso, adaptações de produções antigas para os dias de hoje se tornam um desafio cada vez maior conforme o tempo passa.

4 comentários:

Christiano J. Jabur disse...

Jeanne é um Gênio é uma das minhas séries preferidas, espero que consigam fazer o filme, e que ele seja bom. E espero que o Larry Hagman, o ator que fazia o Major Nelson, seja chamado para fazer uma participação na série. Só espero que o filme saia antes que o Hagman bata as botas. hehehe

Jéssica Soares disse...

Que bacana tomara que consigam ser o mais fiéis possiveis nesse filme!!

Só uma coisa Fernanda, a palavra ''gênia'' não existe, tanto que o título brasileiro que a série recebeu é ''Jeannie é um Gênio''. Portanto a Jeannie não era uma gênia, mas sim um gênio [a palavra serve tanto para o masc. como para o fem.]

Beijos!!

Fernanda Furquim disse...

Obrigada Jéssica, lapso meu!

Alfonso disse...

Só espero que não façam a mesma lambança que fizeram como filme da Feiticeira pra telona.

Eu também queria ter a Barbara Eden numa garrafa em casa...eh,eh,eh,eh...

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