quarta-feira, 24 de março de 2010

Voyagers! - Viajantes do Tempo no TCM


Viajar pelo tempo é um daqueles temas fascinantes que habitam os sonhos do ser humano e frequentemente são expressos na literatura, no cinema e na TV. Voyagers! é um exemplo desse fascínio, uma série de aventuras e de cunho educativo desenvolvida para a NBC em 1982, e que chegou até nós pelo SBT. Ela começa com uma explicação de Phineas Bogg, o viajante do tempo: Viajamos pelo tempo para ajudar a história a se desenrolar, damos uma mãozinha quando é necessário. Quando a luz fica vermelha, isso quer dizer que a história está errada, e nossa função é colocar tudo nos devidos lugares. Luz verde, guri, conseguimos!

O enredo parte do pressuposto que às vezes a história sai de seu curso natural. Por isso, existe uma sociedade conhecida como Voyagers (ou viajantes), que luta para manter a história no seu curso correto e da qual Phineas Bogg, interpretado por Jon-Erik Hexum, faz parte. Pouco se sabe sobre a vida desse viajante, exceto que ele já foi pirata. Se o nome dele soa familiar é porque, de acordo com a série, ele serviu de inspiração para Júlio Verne ao escrever o romance A Volta ao Mundo em 80 Dias/Around the World in 80 Days, protagonizado por Phileas Fogg.

Para cumprir suas missões, Bogg inicialmente conta com duas ferramentas. Com o Omni, ele é transportado pelo tempo até o ano limite de 1970. Projetado por James D. Parriott (criador da série), o Omni era inicialmente um aparelho usado no pulso, mas quando a produção percebeu que um objeto fixo poderia dificultar ou impossibilitar o desenvolvimento de crises causadas por perda ou roubo do Omini, ele se tornou um instrumento portátil. Ao chegar no período onde a história está sofrendo um desvio, o viajante utiliza um manual, que é na verdade um livro de história, de onde ele pode tirar todas as informações necessárias sobre como os fatos devem se desenrolar (réplicas do manual podem ser adquiridas aqui).


Além de pirata e grande amante das damas, Bogg tem mais sorte do que juízo. Um misterioso defeito no Omni o transporta a Manhattan no ano de 1982, onde além de conhecer seu futuro companheiro de viagens, ele perde o manual na boca de um cachorro. Perdido em uma época incerta e sem nenhum conhecimento de história (parece que Bogg não era um bom aluno), ele tem a sorte de encontrar Jeffrey Jones (Meeno Peluce), um menino inteligente, cujo pai fora professor de história e de quem ele aprendeu o suficiente para ajudar Bogg a consertar os fatos e continuar sua jornada. Mais adiante, descobrimos que sua queda em 1982 não foi realmente um acidente, pois o órfão Jeffrey estava destinado a ser seu parceiro. Nessas jornadas, os viajantes encontram diversas personalidades importantes em momentos críticos de suas criações. Eles, por exemplo, ajudam os irmãos Wright a criarem o avião, salvam Abraham Lincoln de um sequestro e dão dicas que levam Thomas Edison à desenvolver a lâmpada.



Quando James D. Parriott criou a série, o protagonista que ele tinha em mente era um homem de aproximadamente 40 anos. Mas Jon-Erik Hexum, que desejava muito o papel de Phineas Bogg, convenceu Parriot que o viajante seria mais convincente se fosse interpretado por um ator mais jovem, já que o público ao qual a série se destinava era composto principalmente por crianças e adolescentes. De fato, Voyagers! foi produzida pela Scholastic Productions, uma editora de livros infantis que também produz programas de TV. Através das aventuras de Bogg e Jeffrey, cada episódio era uma lição de história, cultura ou ciência, que terminava com uma mensagem de Jeffrey aconselhando os jovens a visitarem a biblioteca para descobrir mais detalhes sobre o tópico abordado.


A inspiração para Voyagers surgiu do fascínio de Parriott e Stu Sheslow (produtor da NBC na época) pelo desenho História Improvável/Peabody and Sherman, da série animada Rocky and Friends. Peabody era um cachorro gênio que adotara um menino e criara uma máquina do tempo, com a qual não apenas presenciavam fatos históricos, mas também consertavam aqueles que não estavam se desenrolando como devido.


Pois certo dia, Parriott e Sheslow saíram para almoçar e conversar sobre o tema. Quando Parriott voltou para casa, começou a desenvolver o enredo para Voyagers! Experiência com TV não lhe faltava, pois já havia feito roteiros para Cyborg: O Homem de Seis Milhões de Dólares/The Six Million Dollar Man, O Homem Invisível/The Invisible Man, Gemini Man, A Mulher Biônica/The Bionic Woman e O Incrível Hulk/The Incredible Hulk, entre outras.

Sua experiência e o aspecto didático do programa, contudo, não foram suficientes para mantê-lo no ar por muito tempo e a série foi cancelada em julho de 1983, com apenas 20 episódios. Um dos problemas foi a concorrência com 60 Minutes. A série também foi atacada pela National Coalision Against TV Violence, que a achava muito violenta. Jon-Erik Hexum saiu em defesa, se declarando contra o que classificava de absurdo. “Eles não levam em consideração o contexto nem a intenção, que é o que realmente conta. Se eu pegasse um pirata pelo nariz, eles chamariam de excesso de violência.”

Voyagers! teria saído do ar no 15º episódio (The Trial of Phineas Bogg) se um grupo de fãs liderados por Debbie Sheldon, Margo Coburn, Tracy Graham e Shelagh Collins não tivessem feito uma campanha para completar a temporada. Até mesmo Hexum se engajou nos esforços, enviando cinco mil pôsteres a escolas por todo o país, e dando entrevistas na TV e no rádio em mais de 28 cidades até o início de dezembro de 1982.

Além da concorrência e das alegações de violência, a série também enfrentou os elevados custos da recriação de cada época visitada por Bogg e Jeffrey. Para limitar os custos, a produção foi obrigada a reciclar, utilizando cenas de outros filmes. O resultado eram montagens com cenas de qualidades distintas, às quais ainda eram acrescentados efeitos de baixo custo e a utilização evidente de dublês.





Voyagers! Encerrou dia 10 de julho de 1983 com o episódio Jack’s Back, no qual Bogg e Jeffrey chegam em 1889, a tempo de salvar a famosa repórter Nellie Bly das mãos de Jack, O Estripador. No local do ataque, Jeffrey fica deslumbrado com a capacidade dedutiva do Dr. Arthur Conan Doyle, que por sugestão do menino, utiliza Sherlock Holmes como inspiração nas buscas pelo assassino. Uma das pistas de Nellie é um objeto prateado visto com o criminoso. Quando ela vê o mesmo objeto (Omni) nas mãos de Bogg, ele é preso. A única explicação, Bogg percebe, é que seu inimigo, o viajante vilão Drake, está de volta. Drake (Stephen Liska) já havia causado problemas a Bogg no episódio The Trial of Phineas Bogg, no qual tentara incriminá-lo com falsas acusações no tribunal dos viajantes. Desacreditado por seus próprios crimes envolvendo a história, Drake fora banido e fugiu pelo tempo. Em sua volta, ele ajudou a concluir a série com muita ação, em um episódio considerado pelos fãs como um dos melhores de Voyagers!


Revejam a série todos os sábados, a partir do dia 3 de abril, no canal TCM, às 12h, com reprise às 4h.

A seguir, uma amostra da dublagem, na abertura.



Apreciem também nossa galeria de fotos.
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5 comentários:

Betany disse...

Que legal, adorava essa série! Pena que esse horário é super tosco! =/

Benny disse...

Parabéns pelo texto e pelas informações, é bom saber que este seriado maravilhoso está de volta à tv brasileira. Tenho um grande carinho por este seriado, cujo único ponto negativo foi sua vida curta. Horário ingrato ou não, espero que a audiência faça juz ao "presente" (trocadilho).
Voyagers are back!
Live long and prosper at TCM
Cpt. Benny David

Anônimo disse...

Realmente uma série maravilhosa e com um fim um tanto trágico.....Quem quiser baixar os episódios dublados acesse http://www.baixandofacil.com/2010/05/voyagers-os-viajantes-do-tempo-1.html e boa diversão.... Viva os anos 80 e suas seriés e desenhos maravilhosos

SARASWATTI disse...

Sinto saudade deles!
Não se faz mais seriados como antigamente...

Anônimo disse...

Eu simplesmente adorava este seriado. Lembro-me perfeitamente que, depois de um certo tempo, a música de abertura e encerramento foi aquele famoso single daquela cantora francesa, a Desireless; sucesso, aliás, dos anos 80.

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