sábado, 23 de janeiro de 2010

Biografia: Stephen J. Cannell


Quem vivia ligado na telinha nos anos 80, com certeza ficou fã de pelo menos uma das inúmeras séries de Stephen J. Cannell. Vamos testar? Vejam, abaixo, o vídeo de lançamentos em DVD (nos EUA) e digam quantas se tornaram favoritas.



Stephen J. Cannell é um bem-sucedido empresário, produtor, escritor e, às vezes, até ator. O feito é particularmente interessante se considerarmos que ele sofre de dislexia desde criança. O problema, no entanto, tem sido superado. Ele se formou em jornalismo pela University of Oregon, em 1964, e, embora gostasse de escrever, optou por trabalhar na empresa de decoração de interiores da família, pois já estava casado e buscava estabilidade.

Seu entusiasmo pela arte retornou quando um colega de faculdade, Rick Dumm, lhe pediu para ler um roteiro. Logo, os dois estavam trabalhando juntos em ideias, enquanto as respectivas esposas ficavam jogando. Nos quatro anos seguintes, eles escreveram muito e não venderam nada, até conseguirem um agente. Através de Paula Connell, Cannell finalmente vendeu seu primeiro roteiro à Universal, para a série O Rei dos Ladrões/It Takes a Thief.

O início de sua carreira artística foi também o fim da parceria com Dumm, pois os dois tinham estilos muito diferentes. Para manter a amizade, ele preferiu escrever sozinho. Na época, ele acreditava que o roteiro vendido à Universal lhe abriria o caminho, mas isso não aconteceu. De fato, o episódio nunca foi filmado, e por mais dois anos ele continuou na batalha, vendendo ideias à produção de Missão: Impossível/Mission: Impossible. Apenas ideias, pois era considerado jovem demais para assumir a responsabilidade de roteirista.

Mas não desistiu. Permaneceu sempre à vista, até finalmente, vender dois roteiros para Têmpera de Aço/Ironside. Ao mesmo tempo, soube que a produção de Adam 12 estava precisando de um roteiro, e o produtor, Herman Saunders, queria o texto pronto em dois dias. Ele começou a escrever no sábado e o entregou às 9 da manhã de segunda-feira. A produção gostou tanto do texto, que o contrataram como principal roteirista. Para sua surpresa, ele começou a ouvir seu nome associado a palavras como brilhante e genial. Isso nunca tinha acontecido ao menino mais “burrinho” da turma.


Adam 12 foi de fato uma escola, com a qual desenvolveu técnicas e exercitava a criatividade. Fosse ou não perfeito, o importante era continuar escrevendo e reconhecer o fato de que falhar faz parte do jogo. Em sua opinião, a busca pela perfeição é responsável pelo conhecido bloqueio de escritor. “Isso não é brilhante, então não sei mais escrever.” Para não ter esse peso sobre os ombros, Cannell simplesmente escreve para satisfazer a si. Depois, lê e faz sua própria crítica, tendo em mente os trabalhos daqueles a quem admira.

A fórmula certamente funcionou, pois em 1973 já tinha conquistado uma sólida reputação e estava trabalhando em duas séries, Chase e Toma. Depois que criou e desenvolveu os personagens da primeira, outros roteiristas assumiram a série, enquanto ele passou a dedicar-se à segunda.


Chase

Arquivo Confidencial (1974-1980)

Com Toma teve seu primeiro encontro profissional com Roy Huggins, também produtor da série. Quando um de seus roteiros para Toma foi rejeitado, a idéia tornou-se o piloto de Arquivo Confidencial/The Rockford Files (1974), co-criada e produzida por Roy Huggins. O grande sucesso de Arquivo Confidencial lhe garantiu um Emmy de melhor série dramática. A série Toma sofreu a perda de seu protagonista e quando Robert Blake foi contratado para substituí-lo, a produção foi reformulada e transformada na série Baretta (1975). Na mesma época, Cannell lançou Demônios do Ar/Baa Baa Black Sheep (1976) e City of Angels (1976), entre outros.


Baretta (1975-1978)

Cannell com elenco de "Demônios do Ar" (1976-1978)

Quando seu contrato com a Universal terminou em 1979, lhe ofereceram mais de um milhão de dólares por ano para renovar. Mas ele preferiu sair e montar sua própria produtora, a Stephen J. Cannell Productions, com a qual pôde manter o controle criativo de seus produtos. Ele então fez um acordo de três pilotos com a ABC. O primeiro, Dupla Genial/Tenspeed and Brown Shoe, transformou-se em série e lhe garantiu um prêmio Writers Guild of America, mas quase o levou a falência. Foi necessário renegociar com o diretor da rede, Tony Themopolis, para evitar a bancarrota.



Dupla Genial

Sua situação financeira só mudou com o sucesso de O Esquadrão Classe A/The A Team, de 1983; época em que Dupla Genial/Tenspeed and Brown Shoe já estava fora do ar há dois anos, O Super-herói Americano/The Greatest American Hero entrava na terceira temporada, mas perdendo dinheiro e The Quest estava prestes a ser cancelada. Apesar dos problemas financeiros, no ano de 1986 Cannel tinha seis séries no ar, entre elas Tiro Certo/Hunter, Contrato de Risco/Stingray e Cara e Coroa/Hardcastle and McCormick. No ano seguinte, criou mais duas séries que marcaram a história da televisão: O Homem da Máfia/Wiseguy (CBS) e Anjos da Lei/21 Jumpstreet (Fox).


Tiro Certo (1984-1991)

Contrato de Risco (1985)

Cara e Coroa (1983-1986)

O Homem da Máfia (1987-1990)

Anjos da Lei (1987-1991)

Com Dupla Genial/Tenspeed and Brown Shoe Cannel começou suas investidas como ator, aparecendo em várias séries, tendo inclusive um papel semi-regular em O Renegado/The Renegade (1992-1997), com Lorenzo Lamas. Sua mais recente participação é interpretando ele mesmo na nova série do AXN, Castle, que estreia em fevereiro. No vídeo abaixo, vocês podem ter uma amostra deste trabalho.


Sempre um empreendedor, em 1995, vendeu sua empresa a The New World Communications, por 30 milhões de dólares, em um acordo que lhe permitiu manter os direitos de distribuição de seu material. Dessa forma, continuou desenvolvendo diversos projetos. Entre os que estão em andamento, encontram-se as versões para o cinema de Anjos da Lei/21 Jumpstreet e O Super-herói Americano/The Greatest American Hero. Em junho o público americano já poderá conferir o filme de O Esquadrão Classe A, no qual ele fará o papel de um coronel.

Ainda em 1995, aventurou-se na literatura lançando o romance Final Victim. Em 2002, começou uma série de romances com o personagem Shane Scully, um detetive problemático de Los Angeles, agora no 8º volume, intitulado On the Grind. O próximo livro, The Pallbearers, está previsto para março.

Seu talento, seja como escritor ou produtor, tem sido recompensado com diversos prêmios, como o Saturn Award - Life Career Award (2004), The Marlow Lifetime Achievement Award concedido pela Mystery Writers of America (2005), WGA Paddy Chayefsky Laurel Award na categoria Television Writing Achievement (2006), NAPTE Brandon Tartikoff Legacy Award (2007), e o Final Draft Hall of Fame Award (2008), que reconhece os destaques na indústria do entretenimento.

Atualmente ele escreve um livro por ano, produz três ou quatro filmes e consegue alguns papeis como ator, ou seja, conquistou uma posição que lhe permite fazer apenas o que gosta, o que também inclui palestras e sessões de autógrafo. Só em março, há 15 encontros marcados com o público. Vejam a lista.

4 comentários:

Joelma disse...

uau incrivel, adora grande parte dessas séries, gostava especialmente de tiro certo pena que nunca mais reprisou que eu saiba

Marcelo disse...

Durante os anos 80, quando comecei a assistir séries, ele e o Belisario eram os reis do negocio, quase toda série carregava o nome de um deles

Quando vi a aparição dele em Castle, pensei que ele tinha algo a ver com a série, mas é bom saber que ele está na ativa

Fernanda, o Belisario ainda está na ativa?

Não lembro de ter visto o nome dele em nada desde NCIS (que por azar, depois que ele saiu é a maior audiência da tv)

Unidade de Carbono no Palido ponto Azul disse...

Grande Stephen J. Cannell , não ficou preso só a um modelo, como Gene Roddenberry em Star trek ou Chris CArter em Arquivo X. Não fez sucesso, sempre surgiram outras.

Gosto de Wiseguy, Tiro certo, Esquadrão A, Super Heroi Americano e Anjos da lei.

Mas a série que eu mais gostava dele era Stingray, contrato de risco. Que infelizmente teve vida curta. Adoraria ver a série adapatado aos cinemas.

Anônimo disse...

Olá Fernanda

A Série Chase, foi exibida aqui no Brasil como
Chase - O Esquadrão Fantasma

Abs

David Piraino

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