A Trajetória e Importância do Prêmio Emmy
Por Fernanda Furquim
Neste mês de setembro, mais precisamente no dia 17, a Academia de Televisão americana realizará a 69ª cerimônia de entrega do prêmio Emmy.
Pela primeira vez, uma categoria de melhor série é disputada por um número maior de títulos produzidos para serviços de streaming (confiram a lista completa dos indicados aqui).
A categoria Melhor Série Dramática (uma das mais importantes desta premiação) traz quatro títulos produzidos para streaming e três para canais, sendo dois para o cabo e um para a rede aberta.
Considerando que três dos títulos produzidos para o streaming (The Handmaid’s Tale, The Crown e Strange Things) são apontados como fortes concorrentes, é possível que o público testemunhe este ano uma virada histórica na trajetória desta premiação que, pela primeira vez, estaria legitimando a produção para streaming (a qual até agora vem recebendo da Academia apenas prêmios nas categorias individuais).
Para os fãs, que vêem a temporada de premiações americanas como uma indústria à parte, o Emmy pode parecer apenas mais um entre muitos. Mas, para o mercado (nacional e internacional), para os profissionais envolvidos na produção de uma série e para o próprio telespectador, que se sente perdido em meio a uma enxurrada de ofertas, o Emmy continua sendo uma referência para determinar a qualidade de programas e profissionais (bem mais que os prêmios oferecidos pela crítica especializada).
Uma pesquisa realizada este ano pela Morning Consult (que entrevistou mais de duas mil pessoas) revelou que os indicados ao Emmy, bem como seus vencedores, estão entre as cinco referências preferidas pelo público jovem entre 18 e 29 anos na hora de escolher os programas que irá assistir. Nesta pesquisa, 62% dos telespectadores desta faixa etária disse que escolhe seus programas com base no elenco; 63% com base nas indicações de amigos e familiares; 42% com base na crítica; 32% com base no fato do programa ter ganho um Emmy; e 30% com base no fato do programa ter sido indicado. Notem que a audiência de um programa não figura entre os principais influenciadores. Mas o que mais chama a atenção é o fato de que a pesquisa revelou que a legitimação do Emmy importa mais para o público jovem que para as demais faixas etárias pesquisadas (30-44 e 45-54), o que contradiz a crença popular de que o Emmy só é valorizado pelo telespectador mais velho.
Em uma época em que a qualidade de estabelecimentos, serviços e pessoas são determinadas por avaliações feitas por usuários de apps, membros de comunidades e redes sociais (muito mais que a avaliação feita por críticos especializados), é interessante ver que o público jovem ainda valorize a entrega de um prêmio que, até 2016, vinha se definindo por um perfil tradicional. Recentes mudanças nas regras da Academia, que visam romper com este perfil, permitirão que o Emmy consiga manter sua relevância junto ao público jovem no futuro, podendo até subir na preferência de referências dessa faixa etária.
No momento, podemos imaginar que o Emmy esteja sendo utilizado por um público que, bombardeado por toneladas de novas produções que pipocam em todos os lugares, necessita de uma referência estável (acessível por consultas rápidas) para selecionar ‘os melhores programas’ disponíveis. Para a Academia, a escolha do Emmy como referência de qualidade de um programa é uma vitória, considerando a grande quantidade de premiações que existem (e surgem) nos EUA, muitas delas mais populares entre o público jovem.
Enquanto o Emmy é visto como uma referência na hora do telespectador escolher um título para assistir, para os profissionais envolvidos na produção de um programa o prêmio representa um aumento de renda.
A simples indicação traz para os produtores a chance de vender seu programa para canais internacionais (que até então não davam importância ou nem tinham ouvido falar do programa). Para os canais/streamings que exibem o programa nos EUA, é a chance de elevar o custo de seus espaços publicitários e legitimar seu veículo ou sua grade de programação junto aos profissionais da área (que se sentem inclinados a trabalhar com eles), anunciantes e público. Muitos canais a cabo (e agora serviços de streaming) conseguiram se estabelecer no mercado, conquistando público e credibilidade, graças a programas que foram indicados ao Emmy (ganhando um status maior ainda quando estes programas saíram vencedores). Para os profissionais que trabalham na produção, é a oportunidade de elevar seu salário na próxima renegociação de contrato.
A premiação oferecida pela Academia de Televisão é dividida em três formatos: aquela oferecida pela National Academy of Television Arts & Sciences – NATAS, organização baseada em Nova Iorque que surgiu em 1955; a que é oferecida pela Academy of Television Arts & Sciences – ATAS, com base em Los Angeles; e a que é oferecida pela International Academy of Television Arts & Sciences – IATAS.
O NATAS oferece o Daytime Emmy Awards, que existe desde 1974 premiando as novelas e programas diurnos, os noticiários, documentários (com perfil de denúncia ou noticioso), programas esportivos, de serviços públicos e tecnológicos; o ATAS oferece o PrimeTime Emmy Awards, que premia produções exibidas em horário nobre da TV americana (entre 18h e 2h) como as séries, telefilmes, minisséries, reality shows, talk shows, games shows, produções animadas e documentários informativos ou de entretenimento (incluindo os prêmios técnicos destas produções, os quais são conhecidos nos EUA como Creative Arts); o IATAS premia produções estrangeiras exibidas em território nacional (sendo que títulos coproduzidos por empresas americanas, ou que tenham um número significativo de profissionais americanos em sua produção, podem ser indicados nas premiações oferecidas pela NATAS e ATAS).
Apenas produções exibidas entre os dias 1º de junho e 31 de maio podem se inscrever para disputar a estatueta em suas respectivas categorias, sendo que as séries precisam ter o mínimo de seis episódios exibidos neste período para ser considerada elegível. A votação é feita por 22 mil membros da Academia, que indicam profissionais de sua respectiva área de atuação. Já as categorias de melhor produção recebem indicações de todos os membros votantes. Os mais votados são anunciados como ‘indicados ao prêmio’ em um evento com a imprensa; e o vencedor é anunciado na cerimônia de entrega do prêmio.
O Prêmio Emmy
Antes e depois do anúncio da indicação, os canais e produtoras realizam um pesado lobby na tentativa de convencer os membros da Academia a votar em seus programas. Este lobby é conhecido como Emmy Campaign, que por si só se tornou uma rentável indústria.
Reza a lenda que este sistema de campanha, que até então era praticamente restrito à compra de espaços publicitários, ganhou um novo impulso no início da década de 1990, com a HBO, que lutava para se estabelecer no mercado televisivo e elevar o número de assinantes. Além de enviar vídeos pelo correio para os membros da Academia, o publicitário Richard Licata percorreu várias videolocadoras de Los Angeles disponibilizando vídeos das séries da HBO e convencendo os atendentes a oferecê-los gratuitamente aos membros da Academia que passassem por lá. Dizem que, duas semanas depois, as locadoras pediram a Licata mais unidades porque a quantidade que ele deixou não era suficiente para atender a todos os membros interessados. O sucesso desta campanha fez com que Licata incluísse a rede Blockbuster no ano seguinte, aumentando ainda mais a visibilidade dos programas da HBO junto aos membros votantes.
Enquanto que a Academia de Cinema americana (que oferece o Oscar) impõe restrições quanto ao tipo (e intensidade) de lobby que é feito junto aos seus (cerca de) sete mil membros, a Academia de Televisão não definiu uma regra. Assim sendo, a Emmy Campaign é considerada uma das mais selvagens entre as premiações de Hollywood. Sob o slogan de For Your Consideration (cuja tradução literal é ‘para a sua consideração’), o Emmy Campaign, além dos DVDs/links de streamings, oferece serviços, produtos e eventos (oficiais – organizados pela Academia, e não oficiais – realizados pelos veículos/produtoras) com a marca do programa que disputa uma indicação ou o prêmio; bem como a compra de espaços publicitários (mídia impressa, eletrônica, outdoors, veículos públicos, paradas de ônibus e metrôs, etc) e o intenso uso das redes sociais (como Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp).
Esta campanha costuma ocorrer entre abril e junho, sendo que o período de votação final acontece em agosto. Assim sendo, o voto, propriamente dito, é o resultado da análise dos episódios inscritos, do interesse pessoal do membro votante em cada programa inscrito/indicado e no sucesso de cada campanha. Mas, segundo vem sendo divulgado pela imprensa americana, embora a rede HBO seja a que vem dominando as indicações/vitórias nas últimas décadas, o serviço de streaming Netflix é, atualmente, o veículo que mais investe na Emmy Campaign, por vezes violando alguns acordos tácitos que existiam entre os canais, segundo divulgado pela imprensa.
Veículos que não têm milhões de dólares para participar de uma campanha acirrada, acabam utilizando as alternativas mais simples para despertar a curiosidade de um membro da Academia em seus programas, como matérias em blogs e sites especializados, emails e links de screenings. Se o programa é bom de fato, acaba despertando alguma atenção. Estes são os chamados underdogs da disputa pela estatueta mais cobiçada da TV americana.
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| Emmy Campaign da série The Handmaid’s Tale, forte concorrente ao prêmio de Melhor Série Dramática deste ano. (Foto via The Hollywood Reporter) |
A Trajetória do Emmy
No final da década de 1940, a televisão, atacada por seu lado comercial e condenada pela indústria cinematográfica, buscava uma forma de legitimar sua existência junto à comunidade artística. Assim, seguindo os passos do Cinema, que criou uma Academia e uma premiação (o Oscar), os profissionais que trabalhavam na televisão criaram em 1946 a Academy of Television Arts & Sciences que, por sua vez, estabeleceu uma premiação para os melhores profissionais do veículo.
A Academia foi criada por Syd Cassid, um ex-jornalista que foi editor de filmes de Frank Capra durante a 2ª Guerra Mundial. No pós-guerra, Cassid trabalhava com o canal KTLA, de Los Angeles quando tomou a iniciativa de reunir alguns profissionais da área para criar uma organização que pudesse discutir o futuro da indústria televisiva. Assim surgiu a Academia que teve o ventríloquo Edgar Bergen, pai da atriz Candice Bergen, como o primeiro Presidente. Uma vez instituída, deram início a um concurso entre os artistas plásticos da época para criar a imagem da estatueta do Emmy. Louis McManus, um artista plástico e editor de filmes, foi o vencedor do concurso com a imagem de sua esposa Dorothy McManus segurando um átomo. Inicialmente batizada de Ike, diminutivo do tubo Iconoscope, de onde as imagens da TV eram geradas, a estatueta mudou seu nome para Immy e mais tarde para Emmy, denominação do tubo orticon de imagens. A mudança ocorreu porque Ike era o apelido do herói de guerra Dwight Eisenhower, que viria a se tornar um dos Presidentes dos EUA.
A primeira cerimônia de entrega do prêmio Emmy ocorreu no dia 5 de janeiro de 1949, durante um jantar para o qual foram convidadas 600 pessoas, mas apenas 200 compareceram. Somente a cidade de Los Angeles assistiu à cerimônia já que, na época, não existia transmissão nacional. Criada em Los Angeles, apenas programas exibidos nesta cidade concorreram ao prêmio, o que provocou uma onda de desprezo por parte dos artistas que trabalhavam em Nova Iorque.
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| Protótipo do Emmy criado por McManus. |
Neste momento, o Emmy tinha somente seis categorias: Programa Mais Popular, Melhor Filme Feito para e Exibido na Televisão – que nada mais eram que as séries, teleteatros e programas de variedades; Personalidade de Destaque, Prêmio Técnico – um profissional específico era selecionado por seu trabalho inovador; Melhor Emissora e Prêmio Especial. Os vencedores eram selecionados pelo voto de 500 membros da comunidade artística associada à Academia, sendo que o público participava através da mídia para escolher o programa mais popular do ano.
As categorias específicas para séries e atores somente surgiriam em 1953, quando a terminologia ‘séries de TV’ passou a ser utilizada. Até então, as séries eram chamadas de Programas ou filmes em Kinescope (que consistia em filmar em 16mm a tela de um aparelho de TV durante a transmissão ao vivo de um programa – seja ele série, teleteatro ou variedades. O kinescope era então revelado e enviado a uma emissora associada de outra cidade para ser exibido para o público local).
A primeira série a ganhar o Emmy na categoria Melhor Filme Feito para e Exibido na Televisião foi a comédia Life with Riley. Em 1953, quando as séries passaram a ser divididas em categorias de gêneros, I Love Lucy ganhou o prêmio de melhor comédia, e o teleteatro U.S. Steel Hour foi premiado como o melhor Programa Dramático; já Dragnet ganhou na categoria melhor Programa de Mistério, Ação e Aventura (sim, existia esta categoria que separava as séries policiais/ação das dramáticas).
Em 1988, as produções da TV a cabo começaram a ser reconhecidas pela Academia, que passou a incluí-las em suas indicações ao Emmy. Já as produções para serviços de streaming foram incluídas em 2013.
No início da premiação, a Academia começou indicando cinco produções nas categorias de melhor programa. No entanto, vez por outra, o número poderia ser ampliado para seis indicadas. Na década de 1960, foi estabelecida a regra de cinco indicadas, a qual permaneceu até meados de 2010, quando o número subiu para seis indicadas. A partir de 2015, o número de produções indicadas subiu para sete nas categorias melhor comédia e melhor drama. As produções e os profissionais são julgados por um sistema de amostra. Cada série disputa o prêmio com um pacote composto de seis episódios, e cada profissional concorre por um único episódio. Cabe aos produtores e atores escolherem os episódios que melhor representam a temporada da série ou o trabalho do profissional.
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| I Love Lucy no Emmy |
Ao longo dos anos, a Academia se estabeleceu como uma organização com um perfil tradicional, seja em função de sua grande responsabilidade ao selecionar os vencedores, seja por adotar uma postura lenta para aceitar mudanças do mercado televisivo e de suas narrativas.
Mas em 2015 foi anunciada algumas mudanças nas regras de votação que visivelmente tinham como objetivo elevar o interesse do grande público na cerimônia de entrega do prêmio (que vinha perdendo audiência ano a ano) e garantir sua continuidade e relevância. A mudança que deverá mudar o perfil da Academia ao longo dos anos é a que define o voto dos vencedores.
Até então, nem todos os membros que votavam nos indicados poderiam votar nos vencedores. Mas, buscando elevar o número de membros votantes, e aproveitando que agora a Academia tem condições de realizar votos online nas duas etapas da premiação (finalistas e vencedores), a partir de 2015 todos os membros que votam nas produções e profissionais indicados também poderão votar na rodada final que elege os vencedores. Desde que preencham mais dois requisitos. O primeiro é o de assistir a todo o material submetido para avaliação, disponível online. O segundo é o de que não poderão ter conflitos de interesses em relação aos indicados.
Outras mudanças que ocorreram em 2015 são:
Definição de Ator Convidado – apenas profissionais que aparecerem em menos de 50% do total de episódios são considerados elegíveis nesta categoria. Antigamente, as séries ofereciam episódios fechados, portanto era comum que nesta categoria concorressem profissionais vistos em um único episódio. Por vezes, a história era dividida em duas partes, podendo chegar até a quatro, o que era mais raro. Ainda assim, um ator convidado que aparecesse nestes episódios poderia concorrer na categoria. Atualmente, muitos profissionais tentam elevar suas chances para ganhar o prêmio e, com isso, acabam se inscrevendo na categoria atores convidados, quando na verdade são atores coadjuvantes. Foi o caso de Uzo Aduba, que em 2014 ganhou o prêmio por Atriz Convidada de Orange is The New Black, mesmo tendo aparecido em quase todos os episódios produzidos para a primeira temporada. Temos também o exemplo deMargo Martindale em The Americans, que estava no elenco recorrente da série, mas foi indicada duas vezes ao prêmio por Atriz Convidada.
Definição de Comédia e Drama: considera-se comédia séries com episódios que tenham trinta minutos ou menos de duração; as produções com episódios com mais de trinta minutos de duração são classificadas como drama. Produções de dramédias que desejam se inscrever em comédia ou drama, mas que não preenchem o requisito do tempo de duração, entram com um pedido, o qual será avaliado por um painel de nove membros, formado por cinco líderes da indústria indicados pelo Presidente da Academia, e quatro indicados por um Conselho. Para ter o pedido aprovado, é necessário que ele seja aprovado por 2/3 do painel.
Definição de Séries e Limited Series: o termo Minissérie foi alterado para Limited Series, que define programas com dois ou mais episódios com um total mínimo de 150 minutos. Os programas precisam contar uma história completa e não recorrente, que não façam uso de tramas e/ou personagens centrais vistos em outras temporadas. Comédia e Drama continuam a ser definidos como programas com um mínimo de seis episódios, com histórias fechadas ou continuadas, tendo temas e personagens centrais apresentados sob o mesmo título com uma supervisão de produção continuada.
Divisão das categorias Programas de Variedades: esta categoria foi separada entre Talk Show e Humorístico (esquetes), a qual faz parte do evento que premia as categorias técnicas.
Vencedores e Perdedores
Ao longo de sua história, o Emmy promoveu recordes ao premiar diversas vezes as mesmas produções ou profissionais; bem como injustiças ao oferecer diversas indicações, mas nunca um prêmio.
Até a década de 1990, a sitcom The Mary Tyler Moore Show era considerada a série com o maior número de prêmios da história do Emmy, com um total de 29; seguida por Cheers, com 28 Emmys. Mas as duas foram superadas por Frasier, que conquistou 37 estatuetas. Em 2016, Frasier perdeu para Game of Thrones, que acumula (até agora) 38 estatuetas. As duas só perdem para o programa humorístico Saturday Night Live, que acumula até o momento 52 estatuetas (sendo que apenas duas delas são por Melhor Programa de Variedade).
Atualmente, quem detém o maior número de prêmios como Melhor Série Cômica da história do Emmy são Frasier e Modern Family, com um total de cinco. Na categoria Melhor Série Dramática, as grandes vencedores são Chumbo Grosso/Hill Street Blues, Nos Bastidores da Lei/L.A. Law, The West Wing e Mad Men, que têm quatro vitórias cada. Entre as séries animadas, Os Simpsons continua reinando sozinho, com um total de 32 estatuetas, sendo dez para Melhor Série de Animação. Já entre as minisséries, John Adams (com oito episódios) sustenta o título da mais premiada, com um total de treze estatuetas, superando minisséries como Eleanor and Franklin (dois episódios) e Angels in America (cinco episódios), que têm onze prêmios cada. Entre os telefilmes, Behind the Candelabra bate o recorde, com um total de onze estatuetas.
As produções originais de serviços de streaming ainda estão se estabelecendo no circuito de premiações, mas duas séries já despontam como as mais premiadas. Elas são House of Cards (Netflix), com seis estatuetas, e Transparent (Amazon), com cinco, sendo que nenhuma delas (até o momento) ganhou o Emmy de Melhor Série Dramática ou Cômica.
Por curiosidade, não é raro uma série já cancelada ou encerrada ser indicada ao Emmy mas, pelo que se sabe, apenas My World and Welcome to It ganhou o prêmio de melhor produção, neste caso Melhor Série Cômica, após seu cancelamento.
Entre os atores, The Mary Tyler Moore Show é a comédia que mais deu prêmios ao seu elenco, com um total de 16 estatuetas. Já entre os dramas, existe um empate entre Breaking Bad, A Família Soprano/The Sopranos e The West Wing, cada uma com nove estatuetas para atores que trabalharam nas séries. Na categoria minisséries, Angels in America foi quem mais conquistou prêmios para seu elenco, com um total de quatro.
A atriz ou ator com o maior número de estatuetas é Cloris Leachman (The Mary Tyler Moore Show, Phyllis, Raising Hope), que conquistou um total de oito (até o momento), seguida de Mary Tyler Moore, Ed Asner e Allison Janney, que somam sete Emmys cada. Por referência, o ator, produtor e roteirista Carl Reiner detém nove prêmios Emmy, mas apenas três por atuação.
No entanto, são Don Knotts, Candice Bergen e Julia Louis-Dreyfus quem detêm o título de atores com o maior número de vitórias por um único trabalho; Knotts por The Andy Griffith Show, Bergen por Murphy Brown, e Julia por Veep, com cinco Emmys cada. Bergen só parou de ganhar (a série teve dez temporadas), porque a atriz parou de se inscrever, por considerar que já tinha ganho o suficiente por este trabalho. Por curiosidade, Asner também detém cinco Emmys por interpretar o mesmo personagem (Lou Grant), mas em duas séries: The Mary Tyler Moore Show e sua spinoff Lou Grant. Este ano, Knotts (falecido em 2006) e Bergen podem ser superados por Julia, que ainda concorre por Veep, com grandes chances de vitória. Ao todo, ela tem sete Emmys como atriz, somando suas vitórias por Seinfeld e The New Adventures of Old Christine. Ela também conquistou mais dois Emmys como produtora.
Entre as emissoras, a mais premiada na rede aberta é a NBC. Segundo divulgado pela revista Rolling Stone, ela tem mais de mil estatuetas, seguida pela CBS, que já ultrapassa 900 Emmys. Na TV a cabo, a HBO é quem detém o título, com mais de 450 prêmios. Na Internet, o Netflix tem cerca de vinte prêmios (pelo Primetime), chegando a trinta na soma com o Daytime.
Em contrapartida, o Emmy também fez história ao transformar perdedores em vencedores. Em outras palavras, produções ou profissionais com um grande número de indicações, mas que entraram para a história do Emmy como grandes perdedores. Nesta categoria, Angela Lansbury é considerada a campeã, com dezoito indicações (doze apenas por Assassinato por Escrito/Murder She Wrote) e nenhuma vitória. Também vale mencionar Elizabeth Montgomery, a eterna Samantha de A Feiticera, que ao longo de sua carreira foi indicada nove vezes, mas faleceu sem nunca ter ganho.
Na categoria injustiçados, existem aquelas produções que são lembradas por sua importância histórica e/ou por sua qualidade, mas nunca foram reconhecidas com o prêmio de Melhor Série Dramática ou Cômica (embora tenham ganho em outras categorias). Nesta lista estão Cidade Nua, The Andy Griffith Show, Além da Imaginação, Bonanza, Jornada nas Estrelas, Dallas, Twin Peaks, Roseanne, Buffy a Caça-Vampiros, Homicide: Life on the Streets e The Shield, entre muitas outras. Também vale a pena comentar sobre Dinastia, que recebeu vinte e quatro indicações ao longo de sua produção, mas ganhou uma só, por figurino.
Boa parte das séries que conquistaram indicações, também levaram algum prêmio, embora existam exceções, como é o caso de Newhart, que teve um total de vinte e cinco indicações, perdendo todas; ou mesmo Um Amor de Família/Married…Married With Children, que foi produzida por onze anos, tendo recebido apenas sete indicações, mas nenhuma vitória.
Mas a série que é considerada como a maior injustiça já cometida pela Academia de Televisão é A Escuta/The Wire, que ao longo da produção de suas cinco temporadas conquistou apenas duas indicações ao Emmy (na categoria roteiro), perdendo ambas. Atualmente, ela é tratada por muitos críticos como a melhor produção dramática da história da televisão americana.
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A parte do texto que fala sobre as mudanças das regras do Emmy foi originalmente publicada em fevereiro de 2015; e a que fala sobre ‘Vencedores e Perdedores’ foi originalmente publicada em setembro de 2016, ambas no blog Nova Temporada da VEJA.com, onde fui colunista entre 2010 e 2016.








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