quinta-feira, 25 de março de 2010

Showtime Renova Nurse Jackie e United States of Tara

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O canal Showtime renovou para a terceira temporada as séries "Nurse Jackie" e "United States of Tara", que estrearam a segunda temporada no dia 22 de março nos EUA.

"Nurse Jackie" é a nova série estrelada por Edie Falco, que ficou conhecida como a Carmela em "A Família Soprano". Infelizmente, a série é exibida no Brasil em um canal que poucos tem acesso, o Studio Universal. Mas, quem ainda não viu, confira, é uma das melhores produções do canal Showtime atualmente.

A série foi criada por Liz Brixius, Linda Wallem e Evan Dunsky, estreando nos EUA em 2009. "Nurse Jackie" é a história de uma enfermeira que já está trabalhando na área há muitos anos, com isso, já viu de tudo. Sua relação com os médicos não é a das melhores.

Extremamente crítica, Jackie não aceita o comportamento muitas vezes leviano dos médicos de plantão. Mesmo tendo como melhor amiga uma médica, que está mais preocupada com a aparência e seu estilo de vida, que com o paciente, Jackie mantém um certo distanciamento dos demais profissionais da equipe médica. Mas não pensem que ela é um anjinho com os pacientes. Trata-os com a mesma distância, com a diferença que ela se importa com eles, não com os médicos. A contragosto, Jackie tem uma pupila, que a endeusa e deseja ser como ela, mesmo que não compreenda os motivos que levam Jackie a tomar certas atitudes.

Casada, Jackie tem duas filhas, uma delas com problemas de comportamento. Jackie vive problemas de orçamento e sofre de dores crônicas, que a levam a se viciar em remédios, tal qual House. Mas, diferentemente deste, ninguém sabe que ela é dependente. Apenas seu amante, o chefe da farmácia do hospital. 

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Já "United States of Tara" é a série criada por Diablo Cody, estrelada por Toni Collette e produzida por Steven Spielberg. A história traz uma dona de casa dos subúrbios que precisa lidar com seu problema de múltiplas personalidades. Inicialmente são três: Buck, um homem machista, mas de grande coração; T, uma adolescente de 16 completamente desvairada; e Alice, a dona de casa perfeita e manipuladora. No final da primeira temporada surge mais uma, Gimme, praticamente um animal, que não fala e não se relaciona. A segunda temporada já trouxe mais uma personalidade, Shoshana; uma terapeuta hippie que mantém um diálogo direto com Tara (a personalidade principal) e as demais, que vão e vem quando bem entendem.

Muito bem escrita, a série surpreende ao trabalhar as diferentes personalidades de Tara, sem que a família e os demais personagens desapareçam da trama. Casada com um homem prá lá de compreensível, Tara tem dois filhos, menos compreensíveis que o pai. A jovem adolescente que entra na fase do "quero que tudo vá para o inferno porque minha vida é que importa", e o jovem na fase pré-adolescente que está descobrindo sua homossexualidade.


As duas séries fazem parte de um tema que teve início no Showtime em 1992; mas que somente começou a ser explorado de fato com a estreia de "Weeds" em 2005. Trata-se das produções centradas em mulheres de personalidades fortes, determinadas, que colocam em prática seus sonhos e desejos, mesmo quando parecem que não estão fazendo nada para alcançar seus objetivos.

Em 1992 o canal estreou "Diários do Sapato Vermelho/Red Shoe Diaries", que embora fosse estrelada por um homem, David Duchovny, a série explorava os sonhos e desejos sexuais das mulheres, com um olhar muito mais profundo e erótico que "Sex and the City" da HBO, a qual, em comparação, se enquadra mais no estilo burlesco do tema.

A princípio, essas séries femininas do Showtime não trazem nada demais. São produções nas quais temos mulheres que representam donas de casa, enfermeiras, professoras e prostitutas, profissões que fazem parte do universo feminino à séculos e que já tinham sido representadas nas séries de TV. Algumas mais, outras menos. O que o Showtime fez, foi imprimir a narrativa subversiva na vida dessas mulheres.

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Jackie não é nenhuma Madre Tereza; Tara e Nancy (Weeds) não são simples donas de cada; as outras personalidades de Tara também não são santinhas, nem buscam o melhor para todos; e Belle de Jour (de "Secret Diary of a Call Girl", série inglesa exibida pelo canal) não é uma prostitua amarga que caiu nessa vida por falta de opções, nem tão pouco busca redenção.

Com esse tipo de produção, o canal começou a fazer frente à concorrência direta da HBO, que ainda prima pela qualidade artística do desenvolvimento de grande parte de suas produções. O que o Showtime faz é sair pela tangente para fazer frente à essa concorrência esmagadora. Desta forma, oferece a seu público produções que ironizam o american way of life, perpetuado pela televisão americana ao longo de quatro décadas.

Mas, por enquanto, o Showtime ainda está se dedicando "a causar", a fazer barulho. Tão logo ultrapasse essa fase, o canal terá condições de chegar ao nível de desenvolvimento de textos estabelecido por boa parte da programação da HBO. "Nurse Jackie" e "United State of Tara", são duas séries que têm um grande potencial para conseguir levar o Showtime a esse nível. É possível que sejam elas as primeiras a fazer essa transição.

3 comentários:

Rafa Bauer disse...

Eu gosto muito de Tara, mas não gostei de Jackie. Vi os 2 primeiros episódio da série e desisti.

Já Tara voltou muito bem, achei a premiere talvez o melhor episódio da série até então!

E parabéns pelo texto a respeito das personagens femininas do Showtime, ficou ótimo!

Fernanda Furquim disse...

Oi Rafa! Obrigada!!!

Gostei das duas séries, embora tenha me interessado mais pela Nurse Jackie.

Mas ainda não tenho opinião de fato formada sobre elas, darei tempo ao tempo!

Ainda não vi nada da segunda de United, prefiro fazer maratona da temporada :D

Rubens disse...

Gosto é algo que varia... Eu assisti ao primeiro episodio de Nurse Jack (e parte do segundo), e assisti à parte do primeiro episodio de "United State of Tara". Nao gostei de nenhum dos dois -- mas United eu detestei mesmo, tanto que sequer tive paciencia de terminar o primeiro episodio.

Mas eu faço parte daquele tipo de telespectador que quer apenas entretenimento da televisao.

Exemplo: House é brilhante e tem um humor bem peculiar. Amo esse seriado.
Nao consegui perceber nem brilhantismo e nem humor em Nurse Jackie, por isso nao gostei.

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