quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Review: Life on Mars UK em DVD

A produção inglesa de 2006-2007 chega em DVD no Brasil pela Log On Editora, uma distribuidora independente que tem exclusividade de lançamentos das produções da BBC. A primeira temporada chegou este mês às lojas e a segunda está prometida para dezembro.

O box traz a primeira temporada completa com 8 episódios. Para aqueles que não conhecem a série, esta é uma ótima oportunidade de ser apresentado a uma das produções inglesas que já se tornou cult em seu próprio tempo. Para aqueles que já conhecem, é uma chance de ter o box em sua coleção.

Aparentemente é apenas uma série policial que fala sobre viagem no tempo, mas "Life on Mars" tráz um olhar sobre comportamentos, cultura e desenvolvimento de personagens que se apóia em uma idéia diferenciada sobre um tema constantemente explorado.

Sam Tyler (John Simms) é um policial que reflete os dias de hoje: apóia seu trabalho nas investigações via computadores, análises de laboratórios e perfis psicológicos. Não tem um físico avantajado, não é um galã de cinema, não tem lábia para lidar com bandidos ou autoridades, não é um conquistador nem conta vantagens sobre seus sucessos. Ele é o que antigamente seria classificado de nerd. E é para a "antigüidade" que ele é levado. Mais precisamente na "idade da pedra" das investigações policiais.

Após um acidente de carro Sam acorda na Londres dos anos 70, como uma Dorothy perdida no mundo de Oz. Sem saber como chegou lá, ele descobre ter uma identidade, um emprego e um lugar para morar. Tendo sido transferido para um novo departamento policial, Sam se torna um subalterno do chefe do departamento.

Logo ele descobre que está cercado de brutamontes; policiais que utilizam a força bruta primeiro para depois, com muito esforço, usar o cérebro. Um verdadeiro pesadelo para Sam que é visto como o "esquisito" do lugar, utilizando termos que ninguém nunca ouviu falar e ainda se dando ao luxo de querer resolver os crimes utilizando a lógica e não o punho e as armas.

Um verdadeiro choque de culturas que traz para o público os horrores de uma época em que não existia computadores, a linguagem forense ela limitada, a grande maioria das leis que defendem os direitos humanos, bem como a conduta das investigações, ainda não exisitam e o machismo imperava, dentro e fora da delegacia.

Em torno de todo este potencial de histórias a serem desenvolvidas, a série ainda apresenta uma proposta diferenciada sobre a viagem no tempo de Sam Tyler. Uma idéia que ainda não tinha sido utilizada nas séries de TV, ao menos não como enredo da série. A presença de Sam nos anos 70 pode ser apenas fruto de sua imaginação. Após o acidente, ele teria sido levado ao hospital onde encontraria-se em coma.

Ao menos é a esta conclusão que o personagem chega. Sem saber se é verdade ou não, Sam procura uma forma de conseguir acordar. Neste meio tempo, ele recebe alguns sinais do tempo presente, vindos de algum aparelho eletrônico, que o informa de seu estado presente.

Em determinado episódio, chega a seu conhecimento que os médicos pensam em desligar os aparelhos que sustentam sua vida. Em outros, ele encontra seus pais, ainda jovens, e sua versão infantil. Em todos os episódios Sam é capaz de escutar os médicos ou sua mãe conversando com ele, mas sem possibilidade de se comunicar.

Seu estado de coma parece se aprofundar a medida que Sam se relaciona com os personagens que encontra nos anos 70; conforme ele vai se acomodando na época em que se encontra e criando uma relação afetiva com cada um deles.

Seu chefe, Gene Hunt (Philip Glenister), é uma figura à parte. Amado e odiado, ele representa toda a cultura social e policial da década de 70. Apoiando-se em seus instintos e na força bruta, Gene tem, a princípio, dificuldades de aceitar os novos métodos apresentados por Sam. Considerando-o um fracote e muitas vezes um covarde, Gene acaba aos poucos aprendendo a conviver e respeitar o novo subalterno, bem como manipular a seu favor o comportamento e linha de raciocínio de Sam.

A única pessoa para quem Sam conta sua teoria sobre o coma é Annie (Liz White), uma jovem aspirante a policial feminina, algo ainda novo na época, que se submete aos comentários e comportamentos machistas em busca da realização de sua carreira. Ao tratá-la com mais respeito que os demais, Sam se torna automáticamente seu amigo, muito embora ela concorde que ele sofra de alguma desordem mental sempre que fala sobre a necessidade de acordar deste pesadelo em que vive.

Criada por Matthew Graham, Tony Jordan e Ashley Pharaoh, de "Silent Witness", a série foi originalmente concebida em 1998 para a BBC que a rejeitou. Levada para o canal Channel 4, este chegou a dar início à produção antes de engavetá-la. Após anos de espera e promessas, a equipe de roteiristas conseguiu levar a proposta novamente para a BBC que recém lançava a versão atual de "Doctor Who", outra produção sobre viagem no tempo.

Apesar de trabalhar o mesmo tema, a nova diretoria do canal visualizou o potencial da série e decidiu produzí-la. Seu sucesso gerou uma versão americana mal feita, que teve a produção de David E. Kelley, cancelada em sua primeira temporada.

Um dos principais problemas da versão foi a não conscientização da concepção original do personagem de Sam Tyler. Outro problema foi a reprodução (em cenas, desenvolvimento e diálogos) da série original, não acrescentando em nada à versão para justificar sua existência. Com exceção do final dado à produção americana que difere do original. O sucesso da série inglesa também gerou uma spinoff, "Ashes to Ashes".

O título "Life on Mars" foi extraído da música de David Bowie que é interpretada na série. Esta foi criada com a idéia de unir um representante da geração "C.S.I.", com o ambiente cultural da geração "Sweeney, os Especiais/The Sweeney", série inglesa de grande sucesso em seu país produzida entre 1975 e 1978. Considerada violenta, "Sweeney" era uma versão televisiva dos filmes policiais produzidos nos anos 70.

Ao unir a investigação intelectual com a força bruta, cada um se mantendo em suas respectivas épocas, linhas de pensamentos e de moral, temos um verdadeiro choque de culturas. Uma forma de trazer para o público de hoje as grandes mudanças que a sociedade viveu nas últimas três décadas e das quais não nos damos conta que existiram, ou nos esquecemos.

"Life on Mars"

Estúdio: BBC
Tempo: 564 min (incluindo extras)
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2009
Recomendação: 16 anos
Região do DVD: Região zero (aberto para todos os países)
Legendas: português e inglês
Sistema de som: Dolby Digital 5.1
Formato de tela: widescreen
Nº de Discos: 4
Extras: Making Of com entrevistas com Brian Sykes, trilha sonora da série e erros de gravação.
Preço de Lançamento: R$89,90
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4 comentários:

Rodrigo disse...

Comprei esse dvd, mas ainda não assisti.

Lucio disse...

teria como ver se a Log On Editora irá lançar mais temporadas de Meus Pais São Alienigenas?

Rafa Bauer disse...

Essa é uma das melhores séries dos últimos anos. Sou apaixonado, especialmente pelo final redondinho, que explica tudo e ainda dá margem a interpretações.

Ótimo saber que a próxima temporada já está programada. Vou comprar e emprestar pra todos meus amigos heheh

Anônimo disse...

Gosto muito dessa série. Seu enredo é intrigante, sua proposta muito interessante, seus atores maravilhosos, principalmente John Simms (Sam Tyler) e Philip Glenister (Gene Hunt). Não vi todos os episodios, mas o q assiste foi o suficiente pra me conquistar.
Obrigado Fernanda pelo reveiw. Parabens pelo blog que leio sempre.
Khaoe Pacheco

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