sábado, 15 de agosto de 2009

Mod Squad, Hippies e Outros Baratos. Sacou, Bicho?


Os anos 60 viram o nascer de um movimento de contracultura caracterizado por comunidades próprias, música psicodélica, sexo livre e pela exploração das drogas para atingir formas alternativas de consciência. Conhecidos como hippies, os seguidores do movimento contestavam a sociedade tradicional, bem como o poder militar e econômico. Eles tinham como lema a frase “Paz e Amor”.
No auge da popularidade do movimento, um artigo da revista Time, intitulado The Hippies: The Philosophy of a Subculture (Os Hippies: a Filosofia de uma Subcultura) descreveu o código dessas tribos. “Faça o que lhe der na cabeça, onde quer que seja e sempre que tiver vontade. Caia fora. Abandone a sociedade. Abandone completamente. Dê um nó na cabeça de cada pessoa certinha que encontrar. Deixe-os ligados, se não às drogas, então com beleza, amor, honestidade, diversão.”

Um dos momentos considerado como o maior exemplo dessa contracultura foi o Festival de Woodstock, que hoje completa 40 anos e teve lugar na cidade rural de Bethel, Nova Iorque, de 15 a 18 de agosto de 1969. Aproximadamente 500 mil pessoas reuniram-se para assistir a músicos e bandas importantes, como Joan Baez, Janis Joplin, Santana, The Who, Joe Cocker, Jimi Hendrix e Blood, Sweat and Tears.
Com suas cores e idéias, seus termos e sons, o movimento hippie se refletiu na televisão em diversas séries. Uma das que melhor reproduziu as características dessa época é Mod Squad (The Mod Squad). Esse drama policial reúne três jovens delinquentes, cuja rebeldia os colocou do lado oposto da lei. Pete Cochrane (Michael Cole) fora abandonado por sua rica família de Beverly Hills após roubar um carro. Linc Hayes (Clarence Williams III) acabara preso por participar de manifestações no gueto onde morava. Fugindo de sua mãe prostituta, Julie Barnes (Peggy Lipton) fora pega vadiando. Enquanto em condicional, os três desgarrados recebem uma proposta do Capitão Adam Greer (Tige Andrews): formar um grupo de combate ao crime.


Embora atraente, a proposta só é aceita com a garantia de que não trabalhem para expor ou punir outros jovens com problemas como eles mesmos. Na realidade, a intenção de Greer é capturar apenas os mentores agindo por trás de tais jovens infratores, é levar à justiça quem está usando a juventude para cometer crimes. Por isso, não usarão nem armas, nem insígnias, nem uniformes. Com o grupo, Pete, Linc e Julie aos poucos formam sua própria família.


Mod Squad nasceu das experiências de Bud Ruskin como policial nos anos 50, quando comandou um esquadrão de jovens agindo sob disfarce. A trama foi para o papel em 1960, mas somente em 1968 chegou à TV, quando Aaron Spelling e Danny Thomas abraçaram a idéia e a produziram até 1973.

A série tornou-se muito popular não apenas entre os jovens, aos quais se destinava, mas também entre o público adulto. Seu elenco multirracial introduzia os personagens em tramas que abordavam temas da atualidade, como direitos civis, conflitos raciais, educação sexual na escola e a guerra do Vietnã, frequentemente retirando das manchetes a inspiração para os roteiros.

O sucesso logo transformou o visual moderno do grupo em moda e, a partir da segunda temporada, começou a atrair os famosos do momento para o elenco, tais como Sammy Davis Jr., Richard Dreyfuss, Vincent Price, Robert Duvall e Cesar Romero.

Sammy Davis Jr. nos bastidores

Logo vieram os produtos com a marca Mod Squad. A série recebeu inúmeras indicações para prêmios, incluindo Emmy e Golden Globe, e venceu vários.



quebra-cabeça

quadrinhos

Porém, com o enfraquecimento do movimento hippie no início dos anos 70, a série também saiu da “crista da onda”. A ABC a transferiu para um horário no qual competia com Os Waltons, em sua primeira temporada em 1972, e com The Flip Wilson Show, um programa de variedades comandado por um ator negro. Dessa forma, Clarence Williams III deixou de reinar sozinho. Além disso, as questões pessoais do elenco estavam se tornando um inconveniente à produção. A fama os tornara exigentes demais, e para piorar, Michael Cole era alcoólatra.

No dia 1º de março de 1973, “minas” e “coroas" deram adeus ao “barato” mais legal da época. A “patota” se reuniu novamente em 1979 para um filme, mas a realidade era outra, por isso o filme não teve o mesmo efeito.


Todo o colorido visual do movimento e o linguajar “prafrentex” que o caracterizava foi aplicado na série musical cômica Os Monkees. Mas, ao contrário dos hippies, Micky, Michael, Peter e Davy eram bons moços que não fumavam e não praticavam o sexo livre. A banda que formavam era moderna, mas sem rebeldia, destinava-se apenas à diversão, e o efeito surreal era obtido através da imaginação, não das drogas. A série, estrelada por Micky Dolenz, Michael Nesmith, Peter Tork e Davy Jones ficou no ar de 1966 a 1968, e também gerou legiões de fãs e produtos.

Os Monkees

Embora, o Homem-morcego e Robin sempre colocassem os desajustados atrás das grades no final, os adeptos do movimento hippie tinham motivos de sobra para apreciar Batman. Nunca uma série havia dado um tratamento tão psicodélico a sua estrutura, além disso, a dupla fazia a lei e a ordem parecerem ridídulas.

É provável que o único proscrito que eles tenham gostado de ver na prisão seja Louie Lilás, interpretado por Milton Berle. No episódio Louie Lilás (Louie the Lilac/1967), o vilão criado especialmente para a versão da TV visita um grupo de hippies reunidos em um parque e domina sua líder hipnoticamente, pois acredita que um dia esses jovens não estarão mais à margem da sociedade, e quando forem poderosos, ele quer estar por trás de tal poder.

Cena de Batman com Louie Lilás

O aspecto psicodélico tomou conta da produção infantil A Flauta Encantada (H.R. Pufnstuf), criada por Sid e Marty Kroftt em 1969. Em suas aventuras coloridas, Jack Wilde, no papel de Jimmy, é acompanhado de uma flauta mágina chamada Freddie. Certo dia, Jimmy é raptado pela bruxa Witchiepoo (Billie Hayes), cujo objetivo é utilizar a flauta em seus encantos maléficos.


Dentro do espírito hippie das drogas, o título original foi acusado de ser uma referência à maconha. O público alegava que as iniciais H. R. significavam hand-rolled, traduzindo, enrolado à mão, como um cigarro. A letra da canção tema também foi alvo de alegações semelhantes, de acordo com as quais termos hippes eram códigos para o uso de drogas. Diziam inclusive que os jovens primeiro fumavam maconha e depois iam assisitir ao programa. A produção, no entanto, negou qualquer relação de seu programa com drogas.
O movimento também foi explorado em vários episódios das diversas produções em andamento naqueles tempos, como por exemplo O Show da Lucy, Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Agente 86, Perdidos no Espaço, Jornada nas Estrelas e A Noviça Voadora.

Episódio de O Show da Lucy
Viv Visits Lucy/1967: quando Lucy fica sabendo que o filho de uma amiga deixou o cabelo crescer e começou a tocar guitarra, ela e Vivian se disfarçam de hippies para se aproximar do rapaz e assim salvá-lo do submundo.

Episódios de Jeannie é Um Gênio
Um Conjunto Desconjuntado (Jeannie, the Hip Hippie/1967): Jeannie resolve montar um conjunto de rock para o bazar de caridade de Amanda Bellows.

A dupla Boyce & Hart

A Filha do General (Jeannie, My Guru/1968): Tony precisa esconder do General Schafer o fato de que sua adorada filha é na verdade uma hippie.

Larry Hagman em Jeannie é um Gênio

Episódios de A Feiticeira
Gente Pra Frente Atrasa a Vida (Hippie, Hippie, Hooray/1968): após tornar-se hippie, Serena aparece nos jornais. James precisa então provar aos Tates que aquela desvairada não é sua doce esposa Samantha.

Serena em A Feiticeira

Serena Acaba Com a Serenidade (Serena Stops the Show/1970): Serena remove a fama de uma moderníssima dupla de cantores para que assim eles possam cantar em seu próprio evento.

Episódios de Agente 86
O Guru Legal (The Groovy Guru/1968): um agente da KAOS, conhecido como Guru Legal, está usando o conjunto hippie Vacas Sagradas para controlar os jovens.


Essa Viagem é Necessária? (Is This Trip Necessary?/1969): Vincent Price interpreta um cientista da KAOS que ameaça a comunidade com um novo alucinógeno.

Episódios de Perdidos no Espaço
Colisão de Planetas (Collision of Planets/1967): para se tornarem cidadãos úteis, quatro hippies espaciais devem explodir o planeta no qual os Robinsons estão vivendo.

O Planeta Prometido (The Promised Planet/1968): os Robinsons aterrisam em um planeta dominado por adolescentes hippies que tentam aliciar a tripulação jovem do Júpiter. Até mesmo o Dr. Smith acredita que a idéia seja uma “brasa mora”.


Episódio de Jornada nas Estrelas
Caminho Para o Éden
(The Way to Eden/1969): a Enterprise recebe a bordo um grupo de hippies que abandonaram posições de prestígio na sociedade para sair em busca do mítico planeta Éden.


Episódio de A Noviça Voadora
Quase um Desastre Completo (When Generations Gap/1970): um advogado que detesta hippies, decide defender a irmã Bertrille quando dois “tocadores de guitarra cabeludos” acidentalmente batem no carro dela.

Os "cabeludos" são interpretados pelos músicos Tommy Boyce e Bobby Hart, que também fazem parte do conjunto de Jeannie no episódio Um Conjunto Desconjuntado e da dupla contratada por Serena em Serena Acaba Com a Serenidade, de A Feiticeira. A dupla também compôs canções para Os Monkees.

Quase duas décadas mais tarde, uma série revisitaria aqueles tempos, fazendo um retrato de seus fatos marcantes através das lembranças de Kevin Arnold. Em Anos Incríveis (The Wonders Years) temos todos os sons que embalaram jovens e adultos do final dos anos 60 até o início dos anos 70. Começando com a famosa canção dos Beatles, With a Little Help From My Friends, cantada por Joe Cocker na abertura, passamos por Nat King Cole e Jimmy Hendrix, The Monkees e Bing Crosby, Joan Baez e The Platters, e muitos outros.

A série, criada por Carol Black e Neal Marlens para a rede ABC, foi produzida de 1988 a 1993. Em meio aos assuntos típicos do adolescente protagonista, o público revê os eventos históricos se desenrolarem. A questão hippie surge no episódio O Anjo (Angel), quando Karen, a irmã mais velha de Kevin, apresenta seu namorado à família. Assim como o rapaz, ela faz parte do movimento, e isso não é visto com bons olhos por seus pais tradicionais. Para eles, a música de Jimmy Hendrix, que Karen escuta em seu radinho, é apenas barulho.


O elenco desse sucesso era composto por Fred Savage no papel principal, Dan Lauria como seu pai Jack Arnold, Alley Mills, era sua mãe Norma, Jason Harvey, seu irmão mais velho Wayne, e Karen era interpretada por Olivia D’Abo. Entre seus amigos estavam Winnie Cooper, intepretada por Danica McKellar, e Paul Pffeifer, interpretado por Josh Saviano.

A herança hippie ainda foi graciosa e nostalgicamente apresentada na série cômica Caras e Caretas (Family Ties), de 1982, refletindo a passagem do liberalismo dos anos 60 para o conservadorismo dos anos 80. A mudança é expressa através da relação entre o jovem republicano Alex P. Keaton (Michael J. Fox) e seus pais Elyse e Steven, ex-hippies, interpretados por Meredith Baxter-Birney e Michael Gross.

Então, fiquem com esses vídeos que são jóia pra chuchu.
E paz e amor, bicho!



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