Mais uma Série Canadense na Grade Americana
O canal CTV, do Canadá, não tem do que reclamar com essa greve dos roteiristas americanos. Se por um lado, eles estão sem produtos americanos para estrear em sua grade local, por outro, estão atraindo invetimentos das emissoras que buscam se associar, ou comprar, projetos canadenses. Foi o que ocorreu com "Flashpoint" e, agora, com "The Listener".A rede NBC comprou 13 episódios dessa série sobre um jovem paramédico que possui poderes telepáticos. A produção é da Shafterbury Films, de Toronto, estrelada por Craig Olejnik. As filmagens iniciam em alguns meses e a estréia nos EUA está programada para o meio do ano.
Já a rede CBC, do Canadá, está recebendo propostas da CBS e da ABC para a compra de "The Border", sobre uma equipe que trabalha no Departamento de Imigração canadense, que já está em sua primeira temporada. A rede canadense também negocia com a ABC Family a série "Sophie".
A Greve
Em 30 de junho termina o contrato entre estúdios e atores. Acredita-se que se não houver acordo com os roteiristas até lá, ambas categorias fiquem em greve por tempo indeterminado. Isto porque a mesma cláusula que imperra as negociações com os roteiristas, está promovendo animosidades entre estúdio e Sindicato dos Atores. Se acontecer o pior, atores e roteiristas em greve, as emissoras americanas terão que se abastecer do maior número possível de séries estrangeiras para manter sua grade de programação.
O problema está justamente na cláusula que determina a percentagem em relação à venda de filmes/séries em DVD e download. Os envolvidos sabem que a televisão, como nós a conhecemos, está com os dias contados. Quando ela finalmente se unir à Internet, é inimaginável, hoje, a que nível poderá chegar sua exploração e, conseqüentemente, seu lucro. O que se pode calcular, no momento, é o que já existe de concreto: a produção para a Internet de webseries e websodes, e a venda por DVD e por downloads. Roteiristas e Atores consideram muito baixo o valor oferecido para as vendas, embora aceito pelos diretores.
A percentagem que os roteiristas já recebem pela exibição na TV é de 1,2%. A oferta dos estúdios para os downloads é de 0,7% para produtos televisivos, e de 0,65% para produtos feitos para o cinema. O Sindicato pede equiparação e ainda alega que, se o futuro da TV (e até mesmo do DVD) é a Internet e outras mídias, ou seja, os downloads - pelos quais as pessoas escolhem que programas querem assistir, baixam e assistem - o que os estúdios estão propondo é uma diminuição do valor que já tinha sido estipulado na última greve ocorrida no final dos anos 80.

Estratégicamente, uma das maneiras de se vencer uma greve é esticá-la ao máximo possível. Dessa forma, os integrantes do movimento de greve se cansam de não estar recebendo seus salários, as demais categorias envolvidas no serviço começam a se manifestar exigindo resolução para que possam, também, voltar a trabalhar; e o público, afetado pela paralisação, perde a paciência e começa a exigir que se resolva logo o problema, para que, dessa forma, possa voltar a ter seu prazer garantido.
Os grandes estúdios tem alternativas, como a compra de produtos estrangeiros, ou a associação a empresas estrangeiras, veja por exemplo o caso da NBC que já está investindo na Índia. Com relação aos filmes para o cinema, a mesma coisa. Nada os impede de produzir em outro país onde, inclusive, a mão de obra é mais barata. Já os pequenos estúdios, não têm condições de ficarem parados, por isso, estão rapidamente fechando contratos com o Sindicato. Hoje, mais dois divulgaram acordo: The Film Department e Immedia. Esses acordos não afetam em nada aos grandes estúdios porque para eles, os pequenos não tem uma sobrevida tão longa quanto os grandes. Ou seja, um estúdio menor pode fechar mais rápido e mais fácil que um grande estúdio, e pode abrir mais tarde com outro nome e diretoria.
Por outro lado, os grandes estúdios podem utilizar um pequeno para a produção de uma série e deixar que ele pague as contas relacionadas ao acordo que eles assinaram. Algo que, de certa forma, já está sendo feito, visto que, ao associar-se a um pequeno estúdio, o grande paga um valor X, o qual deverá servir a todos os requisitos de produção, o que exceder, fica por conta do pequeno estúdio, visto que o valor já estava fechado.
Com certeza a televisão americana está, hoje, passando por uma redefinição, não apenas estrutural, mas, também, de mercado. Muita coisa ainda vai mudar, seja em função da greve, seja em função da Internet. E assim, ficamos no aguardo do desfecho final, que pode ser divulgado a qualquer momento, ...ou não.
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