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O canal Showtime renovou para a terceira temporada as séries "Nurse Jackie" e "United States of Tara", que estrearam a segunda temporada no dia 22 de março nos EUA.
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Nurse Jackie" é a nova série estrelada por Edie Falco, que ficou conhecida como a Carmela em "A Família Soprano". Infelizmente, a série é exibida no Brasil em um canal que poucos tem acesso, o Studio Universal. Mas, quem ainda não viu, confira, é uma das melhores produções do canal Showtime atualmente.
A série foi criada por Liz Brixius, Linda Wallem e Evan Dunsky, estreando nos EUA em 2009. "Nurse Jackie" é a história de uma enfermeira que já está trabalhando na área há muitos anos, com isso, já viu de tudo. Sua relação com os médicos não é a das melhores.
Extremamente crítica, Jackie não aceita o comportamento muitas vezes leviano dos médicos de plantão. Mesmo tendo como melhor amiga uma médica, que está mais preocupada com a aparência e seu estilo de vida, que com o paciente, Jackie mantém um certo distanciamento dos demais profissionais da equipe médica. Mas não pensem que ela é um anjinho com os pacientes. Trata-os com a mesma distância, com a diferença que ela se importa com eles, não com os médicos. A contragosto, Jackie tem uma pupila, que a endeusa e deseja ser como ela, mesmo que não compreenda os motivos que levam Jackie a tomar certas atitudes.
Casada, Jackie tem duas filhas, uma delas com problemas de comportamento. Jackie vive problemas de orçamento e sofre de dores crônicas, que a levam a se viciar em remédios, tal qual House. Mas, diferentemente deste, ninguém sabe que ela é dependente. Apenas seu amante, o chefe da farmácia do hospital.
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United States of Tara" é a série criada por Diablo Cody, estrelada por Toni Collette e produzida por Steven Spielberg. A história traz uma dona de casa dos subúrbios que precisa lidar com seu problema de múltiplas personalidades. Inicialmente são três: Buck, um homem machista, mas de grande coração; T, uma adolescente de 16 completamente desvairada; e Alice, a dona de casa perfeita e manipuladora. No final da primeira temporada surge mais uma, Gimme, praticamente um animal, que não fala e não se relaciona. A segunda temporada já trouxe mais uma personalidade, Shoshana; uma terapeuta hippie que mantém um diálogo direto com Tara (a personalidade principal) e as demais, que vão e vem quando bem entendem.
Muito bem escrita, a série surpreende ao trabalhar as diferentes personalidades de Tara, sem que a família e os demais personagens desapareçam da trama. Casada com um homem prá lá de compreensível, Tara tem dois filhos, menos compreensíveis que o pai. A jovem adolescente que entra na fase do "quero que tudo vá para o inferno porque minha vida é que importa", e o jovem na fase pré-adolescente que está descobrindo sua homossexualidade.
As duas séries fazem parte de um tema que teve início no Showtime em 1992; mas que somente começou a ser explorado de fato com a estreia de "Weeds" em 2005. Trata-se das produções centradas em mulheres de personalidades fortes, determinadas, que colocam em prática seus sonhos e desejos, mesmo quando parecem que não estão fazendo nada para alcançar seus objetivos.
Em 1992 o canal estreou "
Diários do Sapato Vermelho/Red Shoe Diaries", que embora fosse estrelada por um homem, David Duchovny, a série explorava os sonhos e desejos sexuais das mulheres, com um olhar muito mais profundo e erótico que "Sex and the City" da HBO, a qual, em comparação, se enquadra mais no estilo burlesco do tema.
A princípio, essas séries femininas do Showtime não trazem nada demais. São produções nas quais temos mulheres que representam donas de casa, enfermeiras, professoras e prostitutas, profissões que fazem parte do universo feminino à séculos e que já tinham sido representadas nas séries de TV. Algumas mais, outras menos. O que o Showtime fez, foi imprimir a narrativa subversiva na vida dessas mulheres.
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Jackie não é nenhuma Madre Tereza; Tara e Nancy (Weeds) não são simples donas de cada; as outras personalidades de Tara também não são santinhas, nem buscam o melhor para todos; e Belle de Jour (de "Secret Diary of a Call Girl", série inglesa exibida pelo canal) não é uma prostitua amarga que caiu nessa vida por falta de opções, nem tão pouco busca redenção.
Com esse tipo de produção, o canal começou a fazer frente à concorrência direta da HBO, que ainda prima pela qualidade artística do desenvolvimento de grande parte de suas produções. O que o Showtime faz é sair pela tangente para fazer frente à essa concorrência esmagadora. Desta forma, oferece a seu público produções que ironizam o
american way of life, perpetuado pela televisão americana ao longo de quatro décadas.
Mas, por enquanto, o Showtime ainda está se dedicando "a causar", a fazer barulho. Tão logo ultrapasse essa fase, o canal terá condições de chegar ao nível de desenvolvimento de textos estabelecido por boa parte da programação da HBO. "Nurse Jackie" e "United State of Tara", são duas séries que têm um grande potencial para conseguir levar o Showtime a esse nível. É possível que sejam elas as primeiras a fazer essa transição.