terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Revista Newsweek Elege as 10 Melhores Séries da Década

Agora que a década termina vários jornais e revistas americanas começam a eleger as melhores produções entre 1999 e 2009. Não tenho a intenção de reproduzir todas as listas aqui, mesmo porque, algumas nem valem a pena. Mas alguns jornais e revistas como The Hollywood Reporter e Newsweek, exercem uma significativa influência em outras publicações formadoras de opinião, em função de sua presença e postura junto à indústria e à sociedade e, por isso, vale a pena mencionar. Por outro lado, ambas são listagens das quais concordo com o resultado, muito embora sempre falte alguma série. Mas mais do que isso, concordo com as razões apresentadas nos textos de justificativas. Confira a lista do The Hollywood Reporter aqui. Abaixo, a lista da Newsweek com suas justificativas.

10. Em Terapia/In Treatment: a expressão "falatório" é, muitas vezes, aplicada de forma pejorativa para descrever séries de TV que trazem personagens protagonizando diálogos desnecessários que remontam à era do rádio. Como fazer com que os diálogos não sejam excessivos e ao mesmo tempo inovadores, sem parecer que estão ignorando o potencial visual televisivo? Na série da HBO "In Treatment", o diálogo é a ação. Com base em um formato israelense, cada episódio é como um sonho de consumo de um voyer: testemunhar uma sessão de terapia de uma pessoa. Paul Weston (Gabriel Byrne) é o terapeuta que, tal qual muitos profissionais da vida real, tenta manter distancia dos problemas de seus pacientes, evitando, assim cruzar a linha médico paciente. As informações são mais rápidas do que nossa capacidade de processá-las, conforme os pacientes falam e Paul responde. Para aqueles que vivem em cidades que não têm um teatro por perto, "In Treatment" é o mais próximo que poderiam chegar de uma montagem off-Broadway (peças intimistas) estrelada por grandes atores.

09. The Shield: um dos grandes momentos do Emmy desta década foi quando um quase desconhecido Michael Chiklis derrotou os concorrentes, Kiefer Sutherland, Martin Sheen, Michael C. Hall e Peter Krause, ao ganhar o prêmio de melhor ator dramático. Ao longo de toda a série, ele provou repetidas vezes o porquê dele ser merecedor de tal prêmio. Em uma década repleta de anti-heróis, Vick Mackey, personagem de Chiklis, foi um dos que conseguiu ir ao extremo limite. Seu detetive renegado não tinha respeito por qualquer tipo de compromisso quando se tratava de colocar em prática sua própria justiça. Alerta: Spoilers!! Ao invés de matá-lo, os roteiristas optaram em dar a Vic um gosto do seu próprio remédio, ao despojá-lo de sua família, amigos e do trabalho que ele tanto amava. Um final gratificante para uma série que sempre buscou caminhos inesperados para solucionar situações apresentadas.

08. Friday Night Lights: este é um dos grandes dramas menos apreciado da década. É uma série dramática de canal aberto, produzida em uma década na qual o canal a cabo decidiu reduzir a qualidade de seus programas para poder competir com as tevês abertas. Além disso, é situada em uma escola e gira em torno de uma equipe de futebol, dois fatores que limitam seu apelo junto ao público. Mas, tal qual as outras séries dramáticas desta lista, a série desafia os limites de seu enredo criando um universo autêntico. Em Dillon, Texas, nada mais é tão importante quanto o futebol escolar. Desta forma, seus jogadores são submetidos a uma enorme pressão, arcando com grandes responsabilidades, enquanto tentam lidar com suas dúvidas, ansiedades e dificuldades típicas de quando se é um adolescente. Acrescente ainda as nuances dos personagens Taylor (Kyle Chandler), técnico da equipe, e sua esposa, Tami (Connie Britton) e você tem uma série que toda a família pode assistir unida. E, ainda assim, cada um irá achar que a série está direcionada à sua faixa etária.

07. A Sete Palmos/Six Feet Under: a idéia de situar a série em uma casa funerária como meio de explorar situações de como as pessoas lidam com suas vidas e lutam para aceitar sua mortalidade parece brega e óbvia. Mas Alan Ball conseguiu transformar a metáfora em uma narrativa elegante de como uma família americana luta para se manter unidade enquanto cada membro segue seu próprio caminho. (onde se lê "o episódio final", significa que contém spoiler) O episódio final no qual vemos cada membro da família Fisher envelhecer e morrer o coloca entre os melhores finais já produzidos para a televisão, não apenas da década, mas de todos os tempos. E, como se não bastasse que a abertura brilhante e perfeita da série tenha contribuído com nossa cultura, ainda temos todo seu conteúdo pelo qual podemos nos orgulhar.

06. Mad Men: se "Seinfeld" foi a série sobre o nada, então "Mad Men" é a série sobre tudo, onde nada acontece. Mesmo o fã mais ardoroso da série á de concordar que qualificar o ritmo de "Mad Men" como "congelado" seria um insulto às geleiras. Mas, ao situá-la nos anos 60, Matthew Weiner conseguiu expor todo seu conteúdo. A ação não tem que ser o enredo da série; ela é o espírito do tempo e da agitação política e social da década que constantemente insinua-se na vida dos personagens que fazem parte da história. Seus personagens são atemporais e fascinantes, em especial Don Draper (Jon Hamm), que consegue se emocionar mesmo mantendo as aparências e voltando à postura anterior. De certa forma, faz sentido; em uma época em que tudo estava mudando, que poderia ser mais reconfortante que o comportamento padrão tão familiar?

05. Battlestar Galactica: ninguém previa que a grande sacada da década seria esta série, que explorou o terrorismo, patriotismo, segurança e tecnologia dentro de um universo de ficção científica com base em uma produção original de 1978. Se você é um dos que evitou assistir à esta série em função dela ser um remake ou simplesmente por ser uma ficção científica, faça a você mesmo um favor: consiga os DVDs. Mais que qualquer outra série, "Battlestar Galactica" reflete as ansiedades de uma nação pós-11 de setembro. Mas a série também foi uma espécie de casa dos espelhos, que nos levou a explorar nossos sentimentos dentro de um universo seguro da ficção científica povoada por naves espaciais e robôs. Por ser situada no espaço sideral, nos deu a segurança do distanciamento, ao mesmo tempo em que nos levou a situações muito próximas do nosso dia-a-dia.

04. Breaking Bad: o enredo explorado na série é bem familiar: a transformação de uma pessoa. Mas nunca foi executada de forma tão fascinante como é feita aqui. Talvez a culpa seja do protagonista, Walter White (Bryan Cranston), um homem que não é o que aparenta ser. Um pacato professor de química que luta para sustentar a família enquanto enfrenta um câncer de pulmão. Mas, ao se envolver com o tráfico de drogas, ele nos mostra a desonestidade e o potencial de violência que existia dentro dele o tempo todo. Isto é o que o torna um homem comum, visto que todos nós temos este potencial para o mal, que costuma ficar escondido dentro de nós, já que não temos motivos para expô-lo. É preciso ter muita coragem em assistir a série e admitir isso. A maioria das pessoas que a vê, passa o tempo todo afirmando que jamais se transformariam neste tipo de pessoa.

03. A Família Soprano/The Sopranos: é muito difícil escolher a melhor cena da série, visto que a maioria delas são memoráveis por apresentar coisas que nunca tinham sido tentadas antes pela televisão; coisas que nos levaram a nos perguntar se era verdade que estavam sendo levadas ao ar. Um exemplo está na terceira temporada, no episódio "Employee of the Month", quando a Dra. Melfi (Lorraine Bracco) começa a chorar durante uma sessão com Tony (James Gandolfini), se perguntando se usa ou não o mafioso como arma contra o homem que a violentou. Cena perfeita, atuação maravilhosa, inteligentemente escrita, e tocante para uma série repleta de cenas deste tipo. Apesar de todas as críticas sobre o episódio final, não é a primeira vez que David Chase conduz seu público como um músico que toca um violino.

02. Lost: imagine que um homem alto, bonito e gentil preenche a sua vida com amor, paixão e espontaneidade. E que a partir daí inicia-se um romance, com pétalas de rosas, jóias e recadinhos escritos no espelho. Depois, após algumas semanas, ele, por acaso, menciona que já foi casado três vezes, que tem seis, talvez sete, filhos e uma ficha corrida de quando era adolescente. Coisas que você normalmente não aceitaria, mas que agora, seduzida, tenta aceitar a situação. Para a grande maioria dos telespectadores "Lost" é este estranho. Primeiro, a série era apenas um grupo de gente bonita que sofre um acidente e tenta descobrir uma forma de sair de uma ilha e voltar para casa. Mas, então, surge um monstro de fumaça, estações/hatches, e os outros que habitavam a ilha. Em pouco tempo, mesmo o mais avesso à ficção científica já estava preso à história e seus personagens. E é só isso que a audiência realmente deseja: personagens a quem amar/odiar e um enigma a resolver. Damon Lindelof e Carlton Cuse entenderam isso. Mas será que conseguem alinhavar tudo? Mesmo que não consigam, ainda nos restará as boas lembranças da época em que uma nação inteira ficou presa à uma ilha que desaparece.

01. A Escuta/The Wire: não há uma única pessoa que não tenha reclamado do fato da série não ter ganho um Emmy. Mas, a série não é o tipo de programa que o Emmy gosta de premiar: é sombria, cínica, complexa, violenta e cruel. Tudo aquilo que fez o Emmy ignorar a série, é o que faz de "The Wire" a melhor série da década. Ela é impenetrável e exige muita atenção a cada episódio. Aqueles que embarcaram na história foram introduzidos a uma gama de personagens tão reais que pareciam pessoas que conhecemos ou que poderíamos conhecer, apesar de serem policiais moralmente comprometidos ou assassinos. Vimos uma série verdadeira ao extremo se apresentar diante dos nossos olhos; tão autêntica que parecia existir antes mesmo de começar a ser exibida e que poderia continuar existindo mesmo sem que ninguém a veja. O efeito que "The Wire" teve sobre o telespectador não dá para ser qualificado. Certamente David Simon trocaria um Emmy pela satisfação de saber que existem pessoas inteligentes que entenderam que, apesar de "The Wire" ser apenas uma série de TV, se perguntam o que Marlo Stanfield anda fazendo atualmente.

6 comentários:

Thomaz Jr disse...

A intenção era só listar dramas?

Pq temos comédias mto boas na década: Arrested Development, Freaks and Geeks, The Office, Extras...

ARTHUR disse...

OPa...
Essa sim, é uma lista com credênciais para mim.
Já falei aqui nos comentários que uma lista com melhores séries tem que ter 'Six Feet Under'.E essa tem!
Apesar da outra lista feita pelo 'The Hollywood Reporter' tem Damages e Modern Family que acho amo tb.
Claro que 10 lugares não são suficientes, por isso, sem alguma coisa vai ficar de fora.
Mas gostei muito da lista e concordo com todas as séries que estão nela!

ARTHUR disse...

Fernanda, acho que deveria tem um aviso de spoiler em SFU pois no texto conta o final da série para quem não viu.
Seilá, só uma dica!

Bruno disse...

É verdade o que o Arthur falou. Eu pretendo ver Six Feet Under e agora que já sei o final, o desejo de querer ver a série diminuiu muito.

Fernanda Furquim disse...

Oi Arthur e Bruno, obrigada pelo toque. Coloquei o início da frase em negrito e avisei do spoiler.

Não considerei colocar o aviso antes porque a série já terminou há algum tempo, mas acho que uma frase que começa com "o episódio final", já é meio que um aviso que vai ter spoiler, não acham?

De qualquer forma, Bruno, saber este final não impede o aproveitamento da série.

ARTHUR disse...

Valeu Fernanda!
Mas Bruno ... Olha só, se vc não ver essa série, estará perdendo de ver umas das melhores coisas de todos os tempo!
Apesar de vc já saber o final ele ainda será chocante, acredite.

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