domingo, 26 de julho de 2009

Comic Con 2009: Relatório do Painel de O Prisioneiro

"O Prisioneiro" é uma minissérie do canal AMC que faz uma releitura dos 17 episódios produzidos pela série inglesa dos anos 60. Com exibição prevista para novembro nos EUA, a minissérie esteve presente no Comic Con 2009 para divulgar-se.

Quem passasse por sua banquinha recebia um cartão de identificação com sua foto e seu número com o qual participaram do sorteiro de um Palm Pre Phone. Os atendentes estavam todos vestidos a caráter, com a roupa mundialmente conhecida pela série dos anos 60. Os visitantes também ganharam brindes como um sneak peak do primeiro episódio da série em versão HQ, veja aqui, e bottoms com as frases "Be Seeing You" e 'I´m Not a Number", tornadas clássicas pela série dos anos 60.

Esteve presente durante o painel os atores Jim Caviezel, o novo número 6, Lennie James, número 147, e Jamie Campbell-Bower, número 11-12, bem como o roteirista Bill Gallagher e o vice presidente de produções da AMC, Vlad Wolynetz, que conversaram com o público após a exibição de um clip de nove minutos que mostraram cenas com situações mais violentas, refletindo os temas da atualidade como os atos terroristas. Veja o trailer aqui.

Jim Caviezel e Jamie Campbell-Bower

Sendo um clássico cultuado por milhares de fãs, e tendo servido de inspiração a centenas de roteiristas ao longo de quatro décadas, "O Prisioneiro", criado e estrelado por Patrick McGoohan, já falecido, transformou-se em um ícone dentro do universo das séries de TV. Talvez seja por isso que muitos acreditem ser temerário reinventar uma produção que ainda está viva até hoje justamente em função de seu significado e da forma como explorou o uso de símbolos de comportamentos, ideologias e fatos de sua própria época.

Durante o painel Caviezel demonstrou tanqüilidade a respeito deste temor, garantindo ao público que os fãs da série clássica se sentirão satisfeitos com o que foi feito nesta nova produção. Enquanto o ator afirmava que a minissérie não era apenas um remake, mas uma adaptação das idéias exploradas na série, o roteirista Gallagher afirmou que teve muito cuidado ao elaborar o roteiro, consciente que não conseguiria se equiparar ao original, mas determinado a não temê-lo.

Bill Gallagher

Apontando a série como uma análise do indivíduo, Gallagher disse que conduziu seu roteiro de forma a dar uma visão de como a arrogância do indivíduo pode destruí-lo. Com a idéia de que atualmente o ser humano tornou-se essencialmente individualista, a trama da minissérie tenta mostrar as conseqüências desta obesessão. De qualquer forma, tal qual na série, o indivíduo continua sendo um prisioneiro da sociedade em que vive.

Críticos apaixonados pela série demonstraram em seus textos publicados em jornais, estarem temerários com a produção que poderá utilizar o tema explorado pela série dos anos 60 para transformá-lo em mais uma produção que grita pelos direitos humanos.

Lennie James

Acreditando que a série é mais forte em seu conteúdo ao explorar questões filosóficas sobre a civilização, tornando-se dificil ser reinventada, uma parte da imprensa acha que esta será apenas uma versão hollywoodiana de uma produção inglesa que já se tornou objeto de estudos em aulas de filosofia e semiótica em universidades.

Reduzida a seis episódios, de um original de 17, muita coisa na trama da série dos anos 60 foi cortada. Respondendo a perguntas, Gallagher disse não ter tido em mente a imagem de Patrick McGoohan como o personagem número seis para não se prender à visão do ator ao desenvolver o personagem.

Gallagher disse que a imagem de McGoohan surgiu em sua cabeça na figura de um velho que aparece no início de seu roteiro. Nele, temos o número seis acordando em um deserto sem saber como chegou lá ou o que fazer. Logo depois ele salva um velho que tentava escapar de um grupo de soldados. McGoohan seria este velho, o antigo número seis que morre, fechando um ciclo. O novo número seis, criado por Gallagher, dá, então, início ao novo ciclo ao tentar se localizar e resolver sua situação.

Perguntado se a minissérie seria então uma seqüência ao original, Gallagher respondeu que não. Ela foi pensada como um novo ciclo, como uma resposta do tempo presente à produção do passado. Mas que acredita ser possível que ao estrear a imprensa possa considerá-la uma seqüência.

Apesar de ter dito ao público que encerrou com a morte do velho a luta do antigo número seis, Gallagher garantiu que a nova versão trará várias referências à série dos anos 60. Algumas são visuais, outras são parte da história, outras são diálogos. Por exemplo, no segundo episódio, o número seis chega a um antigo ressort, o qual, visualmente, lembra o cenário da vila original com pessoas utilizando o figurino clássico dos habitantes do local. Ah, e o Rover está presente; para quem não sabe o que é, trata-se da bola gigante que aparece na série como símbolo de um sistema de vigilância e segurança.

A série original ficou famosa pelo seu final nada convencional. Um final aberto, que deixa margem à diversas explicações por não ter uma resposta direta, por vontade e decisão de Patrick McGoohan, que na época sofreu ameaças de um público que se frustrou por não ter tido uma explicação tradicional às suas perguntas. Gallagher garante que preparou um final igualmente impactante e perturbador.

Já o ator Jim Caviezel, que entrou para o projeto por indicação de Sir Ian McKellan, comentou sua opinião sobre seu personagem: um homem que reflete os acontecimentos do mundo de hoje. Revelando ser fã de ficção científica de séries como "Jornada nas Estrelas" e filmes como "Guerra nas Estrelas", Caviezel se disse impressionado com a qualidade de roteiro apresentada pela minissérie "O Prisioneiro", a qual aponta como uma análise do que mudou no mundo desde os anos 60. O ator garantiu ao público que não tentou repetir McGoohan, mas reagir a ele.

Lennie James, número 147 na história, disse ser um dos habitantes da vila que está satisfeito em viver no local até conhecer o número seis. Jamie Campbell-Bower interpreta o filho do número dois (Sir Ian McKellan), chamado de 11-12, personagem que não existe na série original.

Perguntado sobre o envolvimento de McGoohan na minissérie, o vice-presidente de produções da AMC, Wolynetz disse que o ator e roteirista estava ciente desta produção à qual teria dado sua aprovação ao ler o roteiro. Ele perguntou quem era o ator que iria interpretar o número seis e ao saber que era Caviezel ele teria dito que gostava da escolha. Bricando, Gallagher comentou que McGoohan teria dito que ele próprio deveria interpretar o número seis, mas que Caviezel já era bom o bastante. McGoohan chegou a ser convidado para fazer uma participação especial, mas ele teve que recusar em função de sua saúde que já estava bem debilitada. O ator faleceu durante a produção da minissérie.


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