quinta-feira, 11 de junho de 2009

TV Cultura Abre as Portas à Produção Seriada

Todos nós temos a consciência de que o Brasil tem um enorme potencial para desenvolver séries de TV. Uma gama de temas relacionados à cultura, política, economia, sociedade, diferenças e ideologias são inexplorados a cada ano que passa.

Restrita à produção vai-e-vem de quatro canais abertos (Globo, Record, SBT e Cultura), à produção esporádica de quatro fechados (GNT, HBO, Canal Brasil e Multishow - parece que a MTV vai entrar na lista), e a parcos investimentos de canais locais que não tem alcance nacional, as séries brasileiras não conseguem criar um filão e, conseqüentemente, se estabelecer e evoluir.

Atualmente vivemos um novo "boom" na produção de séries brasileiras. Mas ele não ocorre porque os canais acreditam no formato, e, sim, porque estão assustados com o nível cada vez maior do interesse do brasileiro pelas séries estrangeiras. Tentando recuperar o público perdido, os canais apostam na produção seriada. Visto se tratar de uma produção com base nas mudanças de humor do público, será que a séries brasileiras vão continuar por tempo indeterminado, ou estamos vivendo um novo vai-e-vem? Daremos tempo ao tempo.

Para piorar a situação, as produções nacionais que existem na TV aberta são restritas aos canais, que não abrem as portas para novos profissionais ou para a produção independente, com algumas exceções entre um projeto e outro. Trabalham sempre com os mesmos roteiristas e diretores, não há renovação. Para onde vão os novos profissionais? Com certeza para produtoras independentes ou para fora do país. O desperdício televisivo brasileiro das grandes emissoras já se tornou clássico tanto para quem atua nele, quanto para quem está de fora, só olhando o bonde passar.

Mas, toda esta introdução foi só um desabafo. O post na verdade se refere às novas produções do projeto Mais Cultura. Vamos a ele!

Já faz algum tempo que a Cultura vem investindo mais freqüentemente na produção dramatúrgica. Em geral limitada à telefilmes, teleteatros e minisséries, o canal teve ao longo dos anos algumas experiências na área de séries de TV.

Mas querem mais. Seja pela nova onda brasileira em torno da produção seriada estrangeira ou seja por reconhecer o potencial deste formato para atingir o público alvo, o fato é que está em andamento a produção de oito pilotos que passarão por um processo de seleção. Destes, três serão escolhidos para se transformarem em séries. O mais importante: a produção é independente.

Com apoio do MinC - Ministério da Cultura e em parceria com a TV Brasil, o canal realizou um edital de seleção de projetos de desenvolvimento e produção de teledramaturgia seriada para TVs públicas, através do programa Mais Cultura, lançado em novembro de 2007. Foram convocados a participar cineastas e sonhadores que desejassem uma oportunidade de ver seu trabalho produzido.

A banca julgadora, formada pelos profissionais Roberto Moreira, Esther e Cao Hamburger, Antônio Carlos Fontoura e Berenice Mendes, selecionaram 20 projetos semi-finalistas dos 225 inscritos. Dos 20, foram escolhidos 8 projetos finais.

No entanto, durante a coletiva à imprensa, o representante do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, se comprometeu junto aos participantes se esforçar para arrecadar financiamento para a produção de todos os projetos selecionados.

Agora, as produtoras responsáveis pelos oito projetos finalistas receberão 250 mil reais para desenvolver o projeto proposto. Trata-se da produção do piloto que será submetido a uma nova avaliação. Os oito serão exibidos nas TVs públicas como especiais e submetidos a uma análise de potencial de público. Somente então serão escolhidos três pilotos para serem transformados em séries de TV com 13 episódios de 26 minutos cada a um orçamento de 2.6 milhões de reais.

O objetivo do Mais Cultura é produzir séries de TV com temáticas voltadas ao adolescente e sua realidade brasileira das faixas C, D e E. Espera-se que esta seja a primeira, e não a única, edição do projeto para seriados de TV.

Os pilotos selecionados são:

Título: Elvis e o Cometa
Autor: Leonardo Garcia
Produtora: Mínima Concepção e Produção Visual
Local: RS
Enredo: A queda de um meteorito destrói a casa e a moto de Elvis - seu instrumento de trabalho. O fenômeno acaba por causar profundas mudanças na vida dos personagens do bairro.

Título: A Passagem
Autor: Augusto Geraes
Produtora: Televisão Profissional
Local: RJ
Enredo: Três jovens em busca de um final de semana cheio de aventuras sofrem um acidente na estrada, se perdem ao buscar socorro e misteriosamente não conseguem mais retornar.

Título: Alfavela
Autor: Cláudio Lobato Santos
Produtora: Uh Tererê Diversão e Arte
Local: RJ
Enredo: A favela e seus personagens através da visão de Lan, um alienígena que cai na Rocinha e é confundido pelos moradores como um estrangeiro com amnésia.

Título: 3%
Autor: Pedro Aguilera Fernandes
Produtora: Maria Bonita Produções
Local: SP
Enredo: um mundo não realista onde competição por trabalho está institucionalizada em um processo cruel. Apenas 3% dos jovens são bem sucedidos e o processo seletivo os coloca em situações limites de humilhação, medo, estresse e dilemas morais.

Título: Vida de Estagiário
Autor: Allan Sieber
Produtora: Neoplastique Entretenimento
Local: SP
Enredo: As aventuras e desventuras de Oséas, estudante e estagiário em uma agência de publicidade. Peripécias e ironias, humilhação, sadismo, malandragem e a ginástica para enfrentar a falta de dinheiro.

Título: Natália
Autor: André Alberto Pellenz
Produtora: 30 Pés Filmes
Local: RJ
Enredo: a transformação na vida de uma jovem de periferia do Rio de Janeiro em sua absorção no mundo da moda e do mass midia.

Título: Brilhante Futebol Clube
Autor: Christiano Ribeiro Pereira
Produtora: Radar Cinema e Televisão
Local: SP
Enredo: a criação de um jovem time de futebol feminino em uma cidade do interior do Brasil.

Título: Pulo do Gato
Autor: Alam Miranda da Silva
Produtora: A Ilha Filmes Locações e Produções
Local: BA
Enredo: conflitos comuns a jovens como dificuldades econômicas e dsestrutura familiar, retratados em meio ao ambiente da capoeira.

3 comentários:

Rafa Bauer disse...

Adorei o post, Fernanda! Trata-se de uma rara iniciativa em direção a uma produção boa de série no Brasil, não "viciada". Vamos ver no que dá. Engraçado que a sinopse de um dos pilotos é bem parecida com uma ideia que eu mesmo tive (a criação de um time de futebol, numa escola...) hehe

Fernanda Furquim disse...

oi Rafa, obrigada!
Lembra do antigo ditado "as paredes têm ouvidos?" Hoje sabemos que quem tem ouvido é o Universo!!! :D

Celeste Morrigan disse...

Muito interessante o post, acho ótima a idéia de fazer séries nacionais sem as restrições das emissoras "tradicionais" como Gbobo e SBT. Acho que vai ser bom.

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